Artigo: A saga de uma História que anda para trás!

Prof. Veranilson Pereira

A História, como área do conhecimento, encanta pela capacidade de proporcionar um olhar para trás, para o ontem, para o passado. Consequentemente, faz-nos refletir sobre os processos de mudanças ocorridos ao longo do tempo, cujas linhas nem sempre são retas e cujos caminhos nem sempre nos trazem evolução, muito pelo contrário, em muitas ocasiões nos trazem angustias. Logo, através dessa janela, percebemos que os resultados poderiam ser diferentes, bastariam apenas atitudes e escolhas diferentes.

Às vezes, pego-me a pensar o quanto Caicó é um exemplo nítido dessa angústia que aflige quem aqui vive. Se passamos por um passado tortuoso, com a invasão portuguesa, que ocorreu paralelo ao massacre indígena, até o tempo áureo do algodão, em que nossa cidade tornou-se referência e conviveu, por muitos anos, com o progresso e o orgulho de ser o que era; hoje, vivencia aquilo que  se tornou parte apenas da nossa memória, resgatada, invariavelmente, em festividades tradicionais e discursos acalorados daqueles que buscaram, na política partidária conservadora, um cargo eletivo para fugir individualmente do atraso que eles mesmos cultivaram.

Outrossim, como se não bastasse, esses se destacam como guardiões de um município que, há muito tempo, não está protegido, haja vista serem eles mesmos a nos prender a essa História que anda para trás. De fato, é uma prisão, porém, não há grades, nem muralhas, o que existe são vícios e clientelismos que vêm tornando o poder público uma estrutura parasita, cujos interesses atendem aos velhos e fieis amigos e correligionários de ocasião.

E o povo?

Ah o povo! Vive na pior parte da prisão, a solitária. Isolados e sem rumo, apenas à espera de que um dia alguém abra a porta e lhe dê, nem que seja, a mais ínfima esperança de liberdade, que com o passar dos anos, parece, assim como a História, ficar para trás.

Enfatize-se que a História que anda para trás está prestes a iniciar mais uma jornada rumo ao atraso, pois, no cenário local, já se percebe, novamente, a movimentação dos velhos abutres que estão se preparando, mais uma vez, para agir. Eles apresentam caminhos e soluções mágicas para problemas que essas mesmas aves de rapina criaram, e mantêm, para garantir que aquele que está na solitária tenha a esperança que a porta será aberta, mas nunca o será. Aliás, nem se cogita abrir, visto que os discursos dos que nos prendem já estão a todo vapor: Meu candidato é melhor, o seu é pior, aquele ninguém quer.

E Caicó?

Caicó nem pensar, nem uma única preocupação, a não ser a manutenção do velho Caicó arcaico e sempre esburacado, atrelado a uma História que teima em nos mostrar, baseado no passado, que podemos ser mais, que queremos ser mais, que devemos ser mais; mas é apenas passado.

Ao povo, resta mais uma vez a opção de escolha entre continuar como estamos ou tentar romper essa História de retrocesso, mandando para a solitária aqueles que, há décadas vêm destruindo a nossa esperança de um futuro melhor.

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