Artigo: O retorno de Zeus e a queda de Saturno

Conta a Mitologia Grega, que após castrar seu pai Urano, Saturno assume o papel do novo imperador do mundo. No entanto, por ter derramado o sangue do seu progenitor, Saturno recebe a maldição de ser destronado pelos seus filhos. Acontece que para evitar a perda de poder, o deus, decide devorar todos os filhos que nascem, para dessa forma, evitar ser deposto.  Inconformada, a esposa de Saturno, Reia, resolve salvar o sexto filho, Zeus, de ser comido pelo próprio pai. Zeus é enviado para Creta, onde é criado em segurança, até crescer, enfrentar o genitor, destroná-lo e aprisioná-lo no mundo inferior do Tártaro.

Nos dias atuais, Saturno é representado pelo homem neofóbico, racista, misógino, preconceituoso… incapaz de se renovar. Aquele homem que vive em constante guerra, não tem amigos, só tem interesses. Seu principal objetivo é devorar toda e qualquer ideia que ameace o seu status quo.

Ultimamente, vimos novamente o Saturno faminto, tentar engolir uma das suas filhas, a menina sueca, Greta Thumberg.  A adolescente tomou a causa ambiental a sério; acusou Saturno por estar devorando o futuro dela e de sua geração e conseguiu mobilizar uma parte significativa do mundo a favor da preservação do meio ambiente.

Então, o líder da maior potência mundial, Donald Trump, ameaçado igual ao titã Saturno,  tentou desqualificar a causa da garota e quis devorá-la juntamente com ideal dela.

Não somente Trump se viu ameaçado de ser destronado, o filho de Bolsonaro, Eduardo, ao espalhar uma imagem fake da garota e; até um inexpressivo jornalista potiguar, que disse que o problema da garota era falta de sexo, tentaram sorrateiramente desqualificar a causa de Greta e de milhões de jovens.

Quantos Saturnos existem hoje? Vingativos, tomados pela compulsão de morte e de sangue, prontos para o ataque. Vivendo em permanente paranoia, numa vigília mórbida a espera do porvir de seu destronamento.

Quiçá, os Zeus, as Gretas, as Marieles e todas as pessoas que lutam por justiça, solidariedade e pela continuidade do nosso mundo habitável, destronem e aprisionem os Saturnos sanguinários de morte, para que os homens e mulheres de boa vontade possam governar o mundo em vista do bem comum e não do interesses de certos grupos.

Há quem afirme que tudo isso é uma utopia, que os titãs jamais perderão o poder. Porém, a história é cheia de bons exemplos. Zeus Mandela conseguiu destronar o Saturno – Apartheid, na África do Sul. Zeus Gandhi mobilizou a Índia que se libertou do Saturno – Império Britânico. Esses são somente alguns exemplos de que os titãs do nosso mundo podem perder o trono e partir daí, uma sociedade mais justa, pacífica e colaborativa vá trabalhar por um planeta sustentável.

Laudo Esdras Pereira Batista – Professor

 

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