Como essa professora potiguar com Síndrome de Down desarmou o preconceito de uma desembargadora

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por Dinarte Assunção

A vaca mágica que é a internet, de onde cada um tira o leite que quer, talhou a produção da desembargadora fluminense Marília Castro Neves, que postou num grupo de magistrados no Facebook aqueles textos que dão preguiça da humanidade.

“Voltando para casa e, porque vivemos em uma democracia, no rádio a única opção é ‘A Voz do Brasil…”, começou ela, nos situado no enfadonho enredo do cotidiano que é a democracia.

“Apuro os ouvidos e ouço a pérola: O Brasil é o primeiro país a ter uma professora portadora de síndrome de down!!!”, exclamou a excelência, nos jogando para o que vem a ser o clímax de sua narrativa. Mas tudo desaba na sequência. Ficaram apenas escombros morais.

“Poxa, pensei, legal são os programas de inclusão social… Aí me perguntei: o que será que essa professora ensina a quem???? Esperem um momento que eu fui ali me matar e já volto, tá?”.

O suicídio da desembargadora não deu certo e ela ainda nos brinda ainda com sua presença. Como o perdão é para todos, ela terá o direito de pedi-lo ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que será acionado para apurar o caso.

Coube à professora Débora Seabra olhar para os escombros morais da postagem e remeter respostas à magistrada.

Recado para a juíza Marília

Não quero bater boca com você!
Só quero dizer que

Tenho síndrome de Down e sou professora auxiliar de crianças em uma escola de Natal (RN).

Trabalho à tarde todos os dias com minha equipe que tem uma professora titular e outra auxiliar.

Eu ensino muitas coisas para as crianças. A principal é que elas sejam educadas, tenham respeito pelas outras, aceitem as diferenças de cada uma, ajudem a quem precisa mais.

Eu estudo o planejamento, eu participo das reuniões, eu dou opiniões, eu conto histórias para as crianças, eu ajudo nas atividades, eu vou para o parque com elas. Acompanho as crianças nas aulas de inglês, música e educação física e mais um monte de coisas.

O que eu acho mais importante de tudo isso é ensinar a incluir as crianças e todo mundo pra acabar com o preconceito porque é crime. Quem discrimina é criminoso.

Débora Araújo Seabra de Moura

 

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