Arroz pode chegar a R$ 30, diz presidente da Associação de Supermercados

Apesar da recente alta dos preços do arroz, o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Ronaldo dos Santos, disse que o custo da matéria-prima ainda não foi repassado integralmente ao consumidor. “Na média, ainda se acha um arroz top de linha (de 5 quilos) entre R$ 18 e R$ 23 nos mercados. Mas se a saca de arroz com casca (do produtor) se mantiver em R$ 100 durante mais um ou dois meses, vai chegar a mais de R$ 30 ao consumidor conforme os estoques forem sendo renovados.”

Em janeiro, a saca chegou a custar menos de R$ 50, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP).

Santos participou nesta quinta-feira, 10, de uma reunião promovida pelo Procon-SP com representantes de supermercados, indústria e produção para debater a alta dos alimentos. Houve um consenso de que a alta do preço aconteceu devido ao atual cenário econômico, com a demanda nacional aquecida por causa da pandemia e a demanda internacional estimulada pela desvalorização do real frente ao dólar. Entretanto, o Procon vai fiscalizar estabelecimentos e, em caso de preços abusivos, autuar o comércio em até R$ 10 milhões.

Santos não vê, por enquanto, o risco de as prateleiras ficarem desabastecidas. “Até porque o governo liberou a importação sem a taxa.” Mas ele também não vê uma queda dos preços praticados no curtíssimo prazo. “Como foi uma conjuntura de mercado que levou à elevação do preço, para que haja uma redução no curto prazo é difícil. O que a gente percebe no setor é: quanto maior o preço, menor o consumo. Com o consumo reduzido, isso pode ajudar a reduzir o preço.

Há uma semana, o presidente Jair Bolsonaro pediu que os donos de supermercados tivessem “patriotismo” e baixassem os preços. Mas no comércio em geral, conforme Santos explicou, existe o que é conhecido no jargão como “sensibilidade de preço”. “Aquele produto que pesa mais e é mais importante, o empresário fica atento à precificação desse produto para não assustar o consumidor. As margens de lucros são menores para não assustar o consumidor, senão a loja lá da esquina pode não praticar o mesmo preço (elevado). É a briga do dia a dia.”

Ele acredita que quando a próxima safra for colhida, em fevereiro de 2021, o preço do arroz possa diminuir. Mas até lá, o mercado também depende ainda de outros fatores externos.

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