CANTIGA ALADINENSE (OU O MESTRE ENCANTADO

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Atendendo a um pedido que aproxima, Pra falar nesta data especial, Hoje eu falo cantando contra o mal, Que corroe, arrebenta a auto-estima. Com a viola decanto prosa e rima, Celebrando um dia diferente, Minha arma é o verso contundente, Que ilumina e desfaz o nó atado, Quem me dera ver meu país mudado, E o mestre vivendo plenamente.

Precisei voar alto, qual condor, Que liberto nos Andes corta o céu, Tive que encarnar um menestrel, Pra botar na minh’alma tanto amor. Arranquei pranto, mágoa, até a dor, Pra viver uma jornada incandescente, E poder partilhar com minha gente, Os preceitos de Deus contra o pecado, Quem me dera ver meu país mudado, E o mestre vivendo plenamente.

No “Aladim”, que é a casa da razão, Já se fala o idioma aladinense, Construindo até peça forense, Pra defesa de nossa posição. Enfrentar com grandeza a humilhação, Desfazendo o destino de indigente, E trazer todo aluno consciente, Para abraçar o professor marcado, Quem me dera ver meu país mudado, E o mestre vivendo plenamente.

Aqui vejo o pão que é fraternura, O cuscuz, queijo, suco de acerola, Iogurte, feijão, café da hora, Macarronada, salada, rapadura. A tristeza vai embora, a tontura, Com o riso que brota insistente, Professor é sofrido, mas valente, Mesmo diante da lei do pão negado, Quem me dera ver meu país mudado, E o mestre vivendo plenamente.

Se o saber não for visto com desdém, E o irmão lá de fora entender, Que governo não existe pra bater, Humilhar e nem constranger ninguém. A ordem dura e indecente jamais vem, Maltratando quem está no batente, Pra punir quem trabalha, honestamente, O projeto do aluno preparado, Quem me dera ver meu país mudado, E o mestre vivendo plenamente.

Como é triste um governo desgovernante, Que usa a força pra poder convencer, Não escuta o justo parecer, De mercador, faz ouvido ao ensinante. Não se trata do Inferno de Dante, Mas da infâmia do pão que é proibido Vai pro lixo o que não foi repartido. Custa ver o professor desprezado, Quem me dera ver meu país mudado, E o mestre vivendo plenamente.

Liberdade, ainda que tardia, Este o lema do grupo inconfidente, Que em Minas fizera o diferente, Enfrentando o descaso, a covardia, Faz Palmares, Canudos, hoje em dia, Aquecer todos nós, as nossas almas, Com Severinos, Antônios, bater palmas Construindo um marco inusitado, Quem me dera ver meu país mudado, E o mestre vivendo plenamente.

Vou fazer uma oração ao Pai Eterno, Suplicar força, garra e vigor, Dissipar todo medo, o temor, Tão presentes no mundo moderno. Que a oração não ressoe só no externo, Mas penetre o coração da gente, E renove, como antigamente, O poder de um povo organizado, Quem me dera ver meu país mudado, E o mestre vivendo plenamente.

Por: Ronaldo Carlos

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