“Não estou preocupada com eleição, estou preocupada em preservar vidas humanas”, afirma Fátima Bezerra

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, minimizou as críticas que recebeu de entidades do setor produtivo por defender o isolamento social mais rígido como medida para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus no Estado.

Durante uma live da “Iniciativa Alemã Lula Livre” nesta segunda-feira (10), a governadora reconheceu que tomou medidas impopulares durante a crise sanitária, mas afirmou que todas as suas ações foram fundamentadas na ciência e tiveram o único objetivo de salvar vidas.

“Fomos o último estado a retomar as atividades econômicas. Isso não era apenas uma questão de decisão da governadora. Era uma decisão dela sim, mas pautada na ciência. Se vai agradar, desagradar, se é popular, não é popular, não estou interessada nisso. Não estou preocupada com eleição de amanhã ou depois de amanhã. Estou consciente do meu papel enquanto governadora, que é necessário e imprescindível para preservar vidas humanas”, declarou.

A governadora potiguar ressaltou que “a pandemia não acabou”. Ela destacou que, apesar da estabilização nas estatísticas, o Brasil segue registrando um alto número de mortes provocadas pela Covid-19. Ela lamentou que o País tenha atingido, durante o fim de semana, a marca de mais de 100 mil óbitos por causa do coronavírus.

“Estamos nesse momento com a retomada das atividades, mas tudo de forma muito gradual, segura, responsável, com compromisso, para que não tenhamos uma segunda onda (de contaminações). Não adianta brincar com isso”, afirmou.

Desde março, para conter o avanço da Covid-19 no RN, Fátima determinou o fechamento de estabelecimentos comerciais e de indústrias e suspendeu aulas nas redes pública e privada de ensino. Somente na segunda quinzena do mês passado, a governadora autorizou a retomada das atividades econômicas, em várias fases. As aulas, contudo, seguem suspensas por tempo indeterminado.

Fátima também fez críticas ao Governo Federal. Segundo ela, as manifestações de “segmentos inconformados” com as medidas de isolamento – as únicas, segundo os cientistas, eficazes para conter o avanço da Covid-19 – foram motivadas por declarações do presidente Jair Bolsonaro.

“As piadas que o presidente fez foram infelizes e desastrosas. Dizer que isso era uma ‘gripezinha’… Não dá para fazer piada com isso de maneira nenhuma. A pandemia precisa ser encarada com grau de complexidade, dramaticidade. Enquanto a vacina não vem, não adianta a gente se iludir. Não podemos negligenciar com as orientações da ciência”, complementou.

A governadora do Rio Grande do Norte criticou, ainda, o que chamou de falta de coordenação do Governo Federal durante a pandemia e a postura de confronto com os governadores que foi adotada por Bolsonaro durante o enfrentamento do coronavírus.

“O impacto em decorrência da pandemia poderia ser bem menor se a gente não tivesse uma conjuntura tão adversa. Temos um governo federal que não acredita, que deu as costas, que não é aliado e que despreza a ciência. É uma coisa inimaginável”, destacou a governadora, lamentando ainda que o País esteja há 87 dias com um ministro interino na Saúde – o general Eduardo Pazuello, em plena pandemia.

Desde o início da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro tem sido crítico das medidas de isolamento social decretadas por governadores e prefeitos. Segundo ele, os efeitos econômicos do fechamento das atividades econômicas podem ser mais prejudiciais do que os efeitos do próprio vírus.

“O presidente resolveu entrar em uma zona de conflito com os governadores do Brasil”, disse Fátima, sugerindo que Bolsonaro colocou as diferenças político-partidárias acima da estratégia de saúde para conter o coronavírus.

Fátima criticou, ainda, a recomendação de uso – pelo governo Bolsonaro – de medicamentos sem comprovação científica de eficácia contra a Covid-19. A governadora entende que a medida estimulou a desobediências às orientações científicas para conter a doença. “Ele (Bolsonaro) desprezou o isolamento, o distanciamento, estimulou o uso de medicação, como a cloroquina, como se fosse papel de político”, enfatizou.

Agora RN*

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