RN é o estado do país com mais cuidadores de idosos, aponta IBGE

O Rio Grande do Norte alcançou o 1º lugar no ranking entre os estados de todo o país com mais pessoas que se dedicaram em 2019 a cuidar de idosos. Ao todo, 791 mil pessoas cuidam de moradores do seu próprio domicílio, o equivalente a 15,2% da população. Na região Nordeste, o estado potiguar é seguido do Maranhão com 12,3%, Ceará 11,9%, Paraíba 11,7%, Piauí 11,3% e Bahia 11,3%.

O número de pessoas que cuidam de idosos no Brasil aumentou em quase 40% em três anos. Os dados da pesquisa divulgada pelo IBGE, de 2016 a 2019, afirmam que cerca de 1,4 milhão de familiares a mais passaram a cuidar de indivíduos de 60 anos ou mais. Na maioria das vezes essa tarefa é desempenhada pelas mulheres, um percentual de 92,1% do total de cuidadoras.

O estudo levantou dados sobre cuidados de pessoas entre crianças, idosos, enfermos ou pessoas com necessidades especiais, afazeres domésticos, produção para o próprio consumo e trabalho voluntário.

Em comparativo com a taxa de pessoas que cuidam de crianças de 0 a 5 anos, o estudo identificou que houve uma redução no número. A queda representou um percentual de 1,5% em relação ao anos de 2018 a 2019.

Para a analista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Alessandra Scalioni Brito, os dados podem significar três coisas: as pessoas estão tendo menos filhos, estão tendo filhos mais tarde ou têm maior acesso a creches. Para ela, isso, também, pode sinalizar o envelhecimento da população.

Cuidado a pessoas e afazeres domésticos

O estudo levantou, ainda, uma análise percentual referente aos afazeres domésticos e cuidados de pessoas por gênero. De acordo com a pesquisa, as mulheres não só continuam sendo as que mais realizam esse tipo de trabalho, como têm tido participação crescente, passando de uma taxa de 89,9% em 2016 para 92,1% em 2019.

“A maior taxa de realização de afazeres domésticos também pode ser efeito da crise do mercado de trabalho e da queda de renda das famílias, reduzindo as possibilidades de contratar empregada doméstica”, analisou Alessandra.

A região Nordeste registrou a maior diferença de taxa de realização de afazeres entre homens e mulheres, um percentual de 21%. As atividades com as maiores discrepâncias entre mulheres e homens são cozinhar, 33,5%, e lavar roupas e calçados com 36,6%. No estudo, a única atividade em que os homens ficam com um percentual maior é fazer pequenos reparos ou manutenção do domicílio, do automóvel, de eletrodomésticos, com 58,1% contra 30,6% das mulheres.

“No geral, sem discriminar ocupados e não ocupados, a quantidade de horas trabalhadas a mais por mulheres é crescente ao longo dos anos, passando de 9,9 horas a mais em 2016 para 10,4 horas a mais em 2019. Os homens só se equiparam a mulher quando moram sozinhos. E mesmo quando ocupadas no mercado de trabalho, as mulheres fazem mais afazeres e cuidados”, ressaltou Alessandra.

Ainda no âmbito das mulheres, a pesquisa fragmentou a análise para verificar o percentual de mulheres pretas em relação aos afazeres domésticos. Na pesquisa, elas representam as que mais realizam afazeres domésticos, com percentual de 94,1%. O estudo esclareceu ainda que o homem pardo é o que menos realiza essas atividades, com 76,5%.

Por fim, a pesquisa afirmou, ainda, que houve um aumentou na média de horas de trabalho voluntário, passando de 6,5h para 6,6h de 2018 a 2019. São quase 7 milhões de pessoas que dedicam essas horas por semana a esse tipo de trabalho. A taxa dessa atividade vem caindo em quase todas as regiões, com redução de 281 mil pessoas em todo país nesse mesmo período. Em complemento, o estudo esclareceu, ainda, que a taxa de realização de trabalho voluntário é maior entre as mulheres e aumenta com a idade e a escolaridade. A taxa também é maior entre as pessoas pretas e entre os ocupados.

Fonte: Site Saiba Mais

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