Russos contrários à guerra são denunciados como traidores do estado

Russos contrários à guerra na Ucrânia – que sequer pode ser assim denominada – são considerados traidores, escória e inimigos do Estado, conforme ditou o presidente Vladimir Putin num de seus pronunciamentos à população. Ser pacifista virou sinônimo de antipatriota, e a caça aos opositores do regime já está em andamento, segundo a ONG independente OVD-Info, que monitora as violações aos direitos humanos na Rússia.

Após a invasão de tropas de Putin no território ucraniano, há um mês, foram criados sites que incentivam os russos a denunciar os chamados sabotadores. Um deles, patrocinado pelo Partido Rússia Justa, recolhe informações sobre quem está interessado em denunciar o próximo, suspeito de atividades contra o governo. Isso vale para os que ostentam símbolos antiguerra – cartazes ou bandeiras com as cores da Ucrânia na janela.

No mesmo dia, a polícia bateu à porta de um morador na capital russa, denunciado pelo vizinho de frente, porque havia pendurado luzes nas cores azul e amarela na janela de seu apartamento, conforme relatos obtidos pela OVD-Info. O nome de Elena Unuchakova, que chefiou a região de Turochakskii, no sul do país, foi levado à polícia por vizinhos porque ela pendurou no jardim fitas com as cores da bandeira ucraniana.

A assessora jurídica da ONG, Alexandra Baeva, diz, no site da ONG, que a palavra denúncia – para expressar a informação de um dedo-duro – tem sido pronunciada e debatida com mais frequência pelo cidadão comum, com o aval do governo. “As pessoas vão tomar esse discurso como um chamado à ação e participarão na repressão – algumas genuinamente, outras sob pressão”, explica.

É raro a denúncia resultar num processo judicial, mas a intimidação é o bastante para assombrar o denunciado, no caso, apenas um oponente da guerra de Putin.

G1*

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