Nossa bandeira sempre será verde e amarela. E vermelha e com as cores do arco-íris e com todas as outras que se quiser.
O show da Madonna na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, na noite deste sábado (4), foi histórico por várias razões: a capacidade do Brasil em realizar grandes eventos, a vocação do Rio – com todos os seus problemas – como cidade turística e acolhedora, entre muitos outros.
O principal de todos, no entanto, talvez tenha sido mesmo o mais irônico. E foi preciso que este motivo viesse de fora para tal tarefa. Foi necessário que uma das mais significativas cantoras do mundo nos restaurasse as nossas múltiplas cores, entre elas o verde e o amarelo.
Com a sua desfaçatez, coragem e talento, Madonna arrancou a surrada camisa da seleção brasileira de futebol das mãos dos fascistas e a devolveu ao povo. E o povo de quem se fala aqui é o mais odiado por eles: o LGBTQIA+. E, de quebra, os negros, as mulheres, camelôs, populações em situação de rua e toda a sorte de gente que vagueia pelo bairro mais famoso da mais bela capital do país.
Tudo foi festa e tranquilidade enquanto Madonna e Pabllo Vittar se esbaldavam no palco com o nosso estandarte positivista, muitas vezes tão avesso ao que se via e vivia naquela noite em Copacabana. A grande piada que circulou é que, finalmente desta vez, uma senhorinha de 65 anos usava o verde e amarelo do avesso. As marchadeiras de 64 e do Oito de Janeiro vão ter que mudar de figurino.
Revista Forum*


