UOL – O Brasil nem tinha se acostumado à independência quando concedeu sua primeira anistia. Apenas 11 dias após o “grito do Ipiranga”, dom Pedro 1º perdoou de maneira geral todas as “passadas opiniões políticas” para consolidar a separação de Portugal.
“Naquele decreto, Dom Pedro considerou importante dar a anistia para que se acabasse com o fanatismo cego e com as opiniões nocivas à união e à tranquilidade de todos os brasileiros”, conta a repórter Adriana Ferraz no novo episódio do podcast UOL Prime, apresentado pelo jornalista José Roberto de Toledo.
Dois séculos depois, a mesma justificativa é usada hoje por políticos que defendem perdoar os envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e militares de alta patente condenados, de forma inédita, a mais de 20 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
“A palavra de ordem hoje é pacificação”, afirma Adriana. “E o maior porta-voz dela é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas”, confirma Toledo.
Desde a proclamação da República, o Brasil já concedeu nove anistias e nenhuma delas conseguiu alcançar o objetivo de pacificar o país ou reduzir as tensões políticas. Pelo contrário.


