Esquema de propina no RN: irmã do prefeito de José da Penha e prefeito de Paraú são alvos da PF

Polícia Federal identificou supostas irregularidades em contratos de distribuição de medicamentos em José da Penha e Paraú. Áudios, vídeos e documentos da investigação apontam negociações de pagamentos ilícitos que teriam sido conduzidas por Ana Jarvis de Souza Mafaldo Gomes, chefe de gabinete e irmã do prefeito de José da Penha.

Em José da Penha, a decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) descreve Ana Jarvis como a responsável por assumir diretamente o contato com a empresa Desmede, afastando o pregoeiro Fabiano Ferreira, que antes intermediava os pagamentos. Ela é mencionada nos áudios como “chefona” e centralizou a operação de forma direta.

A investigação mostra que Ana Jarvis consultou a secretária de Saúde sobre o histórico da empresa em efetuar pagamentos sem questionamentos, reforçando a suspeita de continuidade do esquema. Expressões como “Seguraram 100 mil contos sem fazer nem careta” constam nos registros, indicando que os acordos anteriores foram mantidos.

Apesar de não conduzir mais as negociações, o pregoeiro Fabiano Ferreira continuava a cobrar sua parte, segundo os documentos. Conversas interceptadas indicam que ele manipulava o sistema de licitações, podendo reabrir lances repetidamente para favorecer a empresa, conforme registrado na decisão judicial.

Em Paraú, a investigação também revelou movimentações suspeitas. Câmeras instaladas na sede da Desmede captaram, em 8 de maio de 2025, a visita do prefeito João Evaristo Peixoto, conhecido como Junho Evaristo, ao empresário Oséas Montalgan. Durante o encontro, registrado em áudio e vídeo, foram discutidos valores de notas fiscais, descontos de impostos e percentuais de comissões.

A Polícia Federal confirmou a identidade do prefeito ao comparar imagens com compromissos oficiais registrados no mesmo dia. O material integra a decisão que autorizou 35 buscas e apreensões relacionadas à operação, reforçando a fiscalização sobre contratos públicos de medicamentos no Rio Grande do Norte.

As investigações seguem em andamento. As autoridades analisam os documentos e gravações para definir possíveis medidas administrativas e judiciais contra os envolvidos.

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