Em meio à incerteza sobre a realização de eleição indireta para o governo do Rio Grande do Norte entre abril e maio, crescem as conjecturas sobre qual nome pode despertar o consenso na Assembleia Legislativa, e que não represente ameaça direta para um dos lados durante a campanha eleitoral para a eleição de outubro. Caso a governadora Fátima Bezerra (PT) realmente renuncie para disputar o Senado, o PT defende que o partido mantenha a cadeira no Executivo até o final do ano, conforme escolha do eleitorado, que conferiu mais quatro anos de mandato à sigla quando reelegeu Fátima em 2022. Já a direita defende “um nome técnico”.
Na edição desta quarta-feira (04), o Diário do RN trouxe fala do deputado Tomba Farias (PL) com a sugestão dos nomes do superintendente do Sebrae, Zeca Melo, ou do presidente da Fiern, Roberto Serquiz. Além deles, uma nova possibilidade começa a surgir nos bastidores, o nome de Guilherme Saldanha (PSDB), secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Pesca do RN. Na coluna “Conversa Livre”, do jornalista Bosco Afonso, publicada nesta quarta-feira no Diário do RN, ele aborda o tema, cita o perfil agregador de Guilherme Saldanha e a articulação política que pode levar o secretário de Agricultura a ser governador-tampão do RN.
Indicação de Ezequiel Ferreira (PSDB), interlocutores próximos a Saldanha informam ao jornal que ele “topa” o desafio. Embora tenha afirmado publicamente, como integrante do governo estadual, que defende o nome de Cadu Xavier, o secretário de Agricultura admite que, em caso do governismo não conseguir emplacar o secretário da Fazenda entre os parlamentares estaduais, que serão os eleitores do pleito indireto, e caso seu nome seja colocado por Ezequiel, ele está disposto à candidatura.
A chance do integrante da equipe do governo ter um consenso entre os deputados está justamente em Ezequiel, a peça-chave desta articulação. O presidente da Assembleia Legislativa e do PSDB vem estreitando relações com o grupo de Rogério Marinho (PL). Os deputados do PL, que hoje possui uma bancada com sete parlamentares, já o tem como certo em aliança com a direita para o pleito de outubro. Nos bastidores, apesar de incerto, se fala que Ezequiel deve se aliar à direita, mas manter o voto em Fátima ao Senado.
Esse trânsito entre os dois extremos seria o responsável pela aceitação de Guilherme Saldanha entre os nomes da direita e da esquerda, além do centro. Em conversa com o Diário do RN, um deputado que não quis se identificar confirmou que a bancada aceita o nome de Saldanha como indicação do presidente, e novo aliado, Ezequiel.
Entra na conta também o bom relacionamento do engenheiro agrônomo com segmentos diversos, como a indústria agrícola, agricultores familiares, entidades representativas rurais e representativas econômicas. Guilherme Saldanha é herança do governo Robinson Faria e permanece desde o começo da gestão Fátima. Hoje, mantem a confiança do grupo governista e do campo conservador.
No mandato-tampão, seu nome pode representar a gestão técnica que a direita deseja e pacífica que a esquerda precisa para enfrentar, sem ameaças, a campanha eleitoral que decidirá o governador para os próximos quatro anos. Se Saldanha for o nome, a governadora poderá desfazer as dúvidas entre renúncia e não renúncia nesse momento de reviravolta eleitoral.
Diário do RN*


