No Seridó potiguar, onde a música floresce no chão seco da caatinga, a história do agricultor, maestro e compositor Felinto Lúcio Dantas (1898–1986) ganha as telas do cinema. Reconhecido como um dos nomes centrais da música do Rio Grande do Norte, Felinto deixou um legado de obras musicais, que atravessam gerações e continuam vivas nas filarmônicas da região.
Produzido pela Trapiá Filmes, da Associação Cultural Trapiá, de Caicó (RN), o filme A Música que Nasceu da Terra foi gravado em Acari e Carnaúba dos Dantas e estreia no dia 23 de março. A obra também acolhe memórias afetivas, como as do maestro Márcio Dantas, da Filarmônica Onze de Dezembro, que relembra os ensaios, as missas e a convivência com Felinto desde a infância.
“Como eu tocava na banda de música, podia subir para o Coro da Igreja Matriz e vê-lo regendo. Sou muito honrado em ter vivenciado momentos da vida do Mestre Felinto. Desde criança ouvia suas músicas sendo tocadas na difusora da Igreja. No ano de 1985, quando aprendi a tocar tuba, ia ensaiar na casa dele, com seus netos e outros músicos que estavam iniciando. Ele ficava ouvindo a gente tocar e por vezes, me chamava e perguntava como era aquela tuba”, relembra o maestro Márcio Dantas.
O documentário é realizado com patrocínio do Edital de Penas Pecuniárias da Comarca de Acari (RN) e se firma como um resgate sensível e necessário de um personagem fundamental para a história musical do Seridó — um homem de poucas palavras, mas de música abundante, que nasceu da terra e nela segue ecoando. “Felinto era incrível, íntegro, honesto e de poucas palavras, mas de um coração enorme”, destaca o maestro Márcio Dantas.


