A senadora Zenaide Maia (PSD-RN), o ministro da Fazenda (Dario Durigan), o presidente do Senado Federal e do Congresso Nacional (Davi Alcolumbre), além de outros senadores e líderes partidários se reuniram longamente no Parlamento brasileiro, na última quarta-feira (08), para trabalhar a favor da construção e da aprovação de medidas legislativas e governamentais que protejam a economia e os consumidores brasileiros, frente a cenários internacionais cada vez mais instáveis.
A imprevisibilidade e as projeções negativas são provocados, sobretudo, pelo arrefecimento das guerras entre diversos países com os quais o Brasil tem estratégicas e duradouras relações políticas e comerciais. O exemplo central mais recente é a guerra bélica e comercial recente movida pelos Estados Unidos da América contra o Irã, no Oriente Médio, que impacta especialmente o mercado de petróleo e, em consequência, o preço dos combustíveis.
Como integrante da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) do Senado, Zenaide dedica especial atenção à economia do Rio Grande do Norte diante desse cenário. Ela mantém interlocução aberta com o comando do Congresso e com o governo brasileiro, que monitoram diariamente o quadro e avaliam eventuais riscos de desabastecimento/escassez no mercado global e de possível encarecimento de safras internas e preços ao consumidor final.
“Nosso dever aqui é reduzir ao máximo os impactos desses conflitos para os cidadãos, os consumidores, as empresas que estão em cada canto do território potiguar, do Nordeste, de todo o Brasil. O Rio Grande do Norte tem relações comerciais com vários países, nossa economia é aberta para o mundo. Importamos bens de consumo e insumos para a indústria, gasolinas, óleo diesel, trigo, centeio, além de termos relevantes transações na balança comercial por meio da nossa fruticultura, como melões e melancias, e nossos óleos combustíveis. Sabemos que é grave a situação do mundo e estamos unidos para construir propostas e soluções preventivas e mitigatórias”, frisou Zenaide.
Soluções contra subida de preços
Segundo os parlamentares, os conflitos externos também elevaram o preço dos fertilizantes importados utilizados no agronegócio – adquiridos pelos produtores brasileiros, em grande parte, do Leste Europeu, onde a guerra movida pela Rússia contra a Ucrânia impacta diretamente a produção e a importação desse insumo essencial à agricultura brasileira. A Rússia é o maior fornecedor de fertilizantes do Brasil.
Com mais de duas horas de duração, a reunião foi realizada em caráter reservado, devido à sensibilidade do tema em relação à diplomacia e à soberania nacionais. O ministro da Fazenda assinalou que trabalhará em parceria com o Congresso para reduzir o impacto das guerras na atividade do agronegócio. Durigan se comprometeu a apresentar uma resposta ao setor, em meio à preocupação do governo com o endividamento no país, e a manter o diálogo aberto com o Senado.
“Temos um compromisso, dentro desse esforço de lidar com o endividamento, de também estender uma linha para o setor agropecuário do país. Vamos cumprir a etapa do diálogo para que então o senador Renan a senadora Teresa Cristina (PP-MS), junto com o senador Jaques Wagner (PT-BA, líder do governo no Senado) apresentem uma proposta ao Congresso”, afirmou o ministro.
Ficou decidido que o senador Renan Calheiros (MDB-AL) será o relator do PL 5.122/2023, projeto de lei que garante recursos do Fundo Social do pré-sal para financiar dívidas de produtores rurais atingidos por calamidades públicas.
“Cabe a nós, agentes públicos, defender os empregos, a renda das famílias, a economia em grande e em média escala, a indústria e a produção no campo. Todos somos afetados, dos bairros e comunidades aos números nacionais, do custo do combustível ao preço dos alimentos que não podem faltar na mesa dos brasileiros”, observou Zenaide após o encontro institucional, realizado na Presidência do Senado.
Consenso suprapartidário
Zenaide ainda destacou que, como Casa da Federação, o Senado Federal é o espaço político onde os 26 Estados e o Distrito Federal são representados, cada um e de forma igualitária, por três senadores da República. Nesse sentido, ela destaca que o objetivo, com essa união federativa, é abrir e manter uma mesa de negociação democrática entre os Poderes Legislativo e Executivo.
“Vamos trabalhar de forma consensual e suprapartidária em favor dos interesses do Brasil diante da instabilidade gerada pelas guerras entre nossos parceiros comerciais e políticos. A economia brasileira depende de mercados externos impactados pelos conflitos, e também é prejudicada porque estão em guerra grandes parceiros comerciais dos quais nossas empresas importam insumos agrícolas e outros bens”, salientou Zenaide.
Na visão de Teresa Cristina, representante do agronegócio, o Brasil hoje convive com uma “tempestade perfeita” provocada por problemas como juros altos, preços baixos das comodities, guerra aumentando os custos de produção dos fertilizantes, e redução chinesa da exportação de seus defensivos agrícolas.

