No Rio Grande do Norte, o primeiro semestre de 2026 desenha um cenário desolador para a classe política: o “candidato” mais popular não tem rosto, não tem partido e não gasta com santinhos. Ele é a indecisão. Enquanto as cúpulas partidárias já costuram alianças e distribuem tarefas, uma massa expressiva do eleitorado potiguar responde com um silêncio ensurdecedor, revelando que o cidadão, do Seridó, Vale do Apodi e até mesmo da grande Natal nunca se sentiu tão órfão de representatividade.
Os números não são apenas frios; são discrepantes e humilhantes para quem detém o poder. Recentemente, o Instituto Consult revelou números preocupantes: 73,8% dos eleitores, quando questionados de forma espontânea, simplesmente não sabem ou não quiseram citar um nome para deputado federal. Na prática, isso significa que menos de 22 % dos potiguares conseguem lembrar de um representante para o Congresso Nacional sem o auxílio de uma lista. Para deputado estadual, o abismo é semelhante, com cerca de 71,2% de indecisos em polos importantes como Parnamirim.
Essa “amnésia” coletiva não é fruto do acaso ou da falta de escolaridade, é uma resposta política. O povo esqueceu de quem o esqueceu primeiro. Enquanto o cidadão comum ver o ICMS fixado em 20%, a Assembleia Legislativa e o Congresso Nacional parecem operar em uma frequência distinta, mais preocupados com o aumento de seus próprios subsídios e regalias.
Quando a conta chega na mesa do trabalhador, a distância entre a capital e o interior deixa de ser geográfica para se tornar em números.

