A campanha ainda não começou oficialmente, mas nas redes sociais, nas agendas dos pré-candidatos e na velha prática da “queimação de filme” dos adversários, o clima eleitoral já está em ebulição.
Nos bastidores da disputa pelo Senado, um dado chama atenção: a vaga no campo da esquerda tende a produzir uma concorrência mais acirrada entre os nomes postos até agora.
No fim de semana, passaram a circular vídeos apócrifos contra a senadora Zenaide Maia (PSD), numa tentativa de colar nela a imagem de traidora do grupo político que ajudou a elegê-la há oito anos — o PT do Rio Grande do Norte, liderado hoje pela governadora Fátima Bezerra.
Também ressurgiram vídeos do arquivo político, desta vez resgatando o voto favorável ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff dado pelo então deputado federal Rafael Motta(PDT), à época filiado ao PSB — partido que fechou questão pelo afastamento e que hoje abriga o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Ainda não é possível identificar a origem da artilharia. Mas chama atenção a estratégia que, ao menos por enquanto, parece poupar o pré-candidato Styvenson Valentim (Podemos), identificado com a direita, enquanto concentra fogo justamente sobre nomes que orbitam o mesmo campo político e que, no fim das contas, acabam se transformando nos principais adversários entre si.
O risco é a fritura passar do ponto. Ao mirar potenciais aliados e desgastar nomes do mesmo campo antes mesmo do início oficial da campanha, a estratégia pode acabar produzindo um efeito colateral indesejado: abrir espaço para o crescimento de outro nome da direita potiguar, o Coronel Hélio, que até aqui atravessa a pré-campanha em céu de brigadeiro — quase como se fosse um ator inofensivo no tabuleiro eleitoral.
Laurita Arruda*

