A Organização Meteorológica Mundial (OMM), ligada à ONU, alertou que o planeta deverá enfrentar um novo ano de calor recorde antes de 2030. Segundo o relatório divulgado nesta quinta-feira (28), há 86% de probabilidade de que pelo menos um ano entre 2026 e 2030 supere 2024 como o mais quente já registrado.
A previsão é agravada pela possibilidade de formação do fenômeno El Niño ainda este ano, o que pode elevar ainda mais as temperaturas globais já em 2027. O fenômeno climático ocorre devido ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico e costuma intensificar ondas de calor, secas e eventos extremos em diversas regiões do mundo.
De acordo com o levantamento, existe ainda 75% de chance de que a média de temperatura entre 2026 e 2030 fique mais de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, limite estabelecido pelo Acordo de Paris para tentar evitar impactos climáticos mais severos.
O secretário-executivo da ONU para o Clima, Simon Stiell, afirmou que a recente onda de calor registrada na Europa evidencia o avanço da crise climática. Ele destacou que países da Ásia também enfrentam temperaturas extremas e reforçou a necessidade de acelerar a redução do uso de combustíveis fósseis.
O relatório aponta que as emissões de dióxido de carbono continuam aumentando, intensificando o aquecimento global e contribuindo para fenômenos climáticos extremos, como secas, tempestades e enchentes.
A OMM também prevê mudanças significativas nos padrões de chuva nos próximos anos. Regiões do norte da Europa, Sahel, Alasca e Sibéria deverão registrar índices pluviométricos acima da média, enquanto a Amazônia pode enfrentar períodos mais secos.
Outro dado preocupante é o avanço do aquecimento no Ártico. Segundo os cientistas, os próximos cinco invernos na região poderão registrar temperaturas até 2,8°C acima da média recente, em um ritmo de aquecimento mais de três vezes superior ao restante do planeta.


