Fiocruz alerta para alta de casos de síndrome respiratória grave em todo o Brasil

Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertou para o aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em todo o país. O novo boletim InfoGripe, divulgado nesta quarta-feira (3), mostra que todas as unidades federativas registram níveis de alerta, risco ou alto risco para a doença.

Além disso, o levantamento projeta crescimento dos casos nas próximas semanas. Segundo os pesquisadores, o avanço está relacionado principalmente à circulação da influenza A, do rinovírus e do vírus sincicial respiratório (VSR).

Mais de 77 mil casos em 2026

Desde o início deste ano, o Brasil registrou 77.153 casos de SRAG. Desse total, 37.153 ocorrências (48,2%) tiveram confirmação laboratorial para algum vírus respiratório.

Além disso, 27.841 casos (36,1%) apresentaram resultado negativo para esses vírus, enquanto cerca de 6.934 notificações (9%) ainda aguardam conclusão dos exames laboratoriais.

Influenza lidera mortes por vírus respiratórios

O boletim aponta que a influenza A segue como principal causa de mortes entre os vírus respiratórios monitorados. Nas últimas quatro semanas, ela respondeu por 49% dos óbitos registrados.

Além disso, a influenza B representou 8,2% das mortes. Já o vírus sincicial respiratório (VSR) respondeu por 16,6%, o rinovírus por 16,9% e a Covid-19 por 9% dos óbitos.

Os dados também mostram que crianças com menos de dois anos concentram a maior parte dos casos graves relacionados à influenza. Por outro lado, a mortalidade permanece mais elevada entre pessoas com mais de 65 anos.

Especialistas reforçam importância da vacinação

Diante do avanço das infecções respiratórias, especialistas destacam a vacinação como a principal estratégia para prevenir casos graves e mortes.

Segundo a pesquisadora Tatiana Portella, do InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz, a imunização continua sendo a medida mais eficaz para reduzir o impacto das doenças respiratórias.

“A principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos pelos principais vírus respiratórios que causam SRAG, como VSR, influenza e Covid-19, é a vacinação. Portanto, é essencial que a população de maior risco receba os imunizantes”, afirmou.

Gestantes também devem se vacinar

Além disso, os especialistas recomendam atenção especial aos grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com comorbidades.

No caso do vírus sincicial respiratório, a vacina é aplicada em gestantes para estimular a produção de anticorpos que serão transmitidos ao bebê. Dessa forma, a imunização ajuda a proteger a criança nos primeiros seis meses de vida, período de maior vulnerabilidade às complicações provocadas pelo vírus.

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