O namoro entre PT e PSDB caminha há algum tempo, mas a expectativa de um noivado oficial acabou frustrada nesta semana. A reunião que poderia selar compromissos e até encaminhar a divisão de espaços na chapa majoritária, anunciada pela pré-candidata a deputada estadual Dra. Júlia Almeida, simplesmente não aconteceu.
E por quê? Porque o encontro constava apenas na agenda petista. Do lado tucano, não havia confirmação. O presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira de Souza, passou a quarta-feira dedicado às suas bases eleitorais, longe da mesa onde se imaginava que o relacionamento avançaria para uma fase mais séria.
NOME DE VICE SERIA ESCOLHIDO PELO PSDB E NÃO PELO PT
Quem acompanha os bastidores garante que o casamento ainda não está descartado. Mas, antes de qualquer troca de alianças, o PT terá de aceitar as cláusulas do contrato pré-nupcial elaborado pelos tucanos. Entre elas, uma considerada inegociável: o PSDB quer indicar nomes que fortaleçam seu próprio projeto político, e não apenas atendam aos interesses do futuro parceiro.
Nesse contexto, o nome de Dra. Júlia enfrentaria resistência. Sua eventual indicação para uma composição majoritária enfraqueceria justamente a prioridade tucana para 2026: a montagem de uma nominata competitiva para deputado estadual.
No PSDB, a ordem dos fatores está bem definida: primeiro a chapa proporcional, depois a majoritária.
Para o Senado, o cenário é ainda mais complicado. Nos bastidores, a avaliação é de que a vaga já não comporta novos convidados à festa. O time alinhado ao presidente Lula no Rio Grande do Norte estaria praticamente escalado, sem espaço reservado para um representante tucano.
Assim, o namoro continua, o noivado segue em negociação e o casamento permanece possível…
Mas, se quiser chegar ao altar com o PSDB, o PT terá de compreender que o parceiro sabe o valor da própria aliança. E, como costuma acontecer nas melhores negociações, os tucanos pretendem fazer esse valor ser reconhecido até o momento do tão esperado “sim”.
Laurita Arruda*
