A cidade do Caicó presenciou nos dias 2 e 3 de julho, (mesmo sem quase ninguém ter tomado conhecimento), do Circuito Literário Potiguar – CLIP; um evento que, segundo divulgação oficial, é uma realização conjunta entre o Governo do Estado do RN, por meio da Secult e SEEC, em parceria com o IFRN e a FUNCERN, conta com o apoio do Ministério da Cultura e deveria ter uma programação dedicada ao fortalecimento da literatura e das identidades locais e regional.
A metodologia do projeto é estruturada (a toque de caixa), para preencher lacunas na formação de leitores e valorizar autores potiguares, com uma grade de atividades desenvolvida a partir das demandas de cada localidade junto às secretarias municipais de cultura, com oficinas que incluem cordel, slam, escrita criativa, contação de histórias e preservação histórica e, ao final, uma feira literária para fomentar o acesso ao livro e a leitura como também valorizar o comércio literário. No papel, um grande projeto.
Nesse intento, Caicó foi a primeira cidade a acolher tal evento que se realizou na Casa da Cultura Popular e na Casa do Artesão, mas o grande destaque para este acontecimento foi a forma como ele ocorreu aqui na cidade, sem público, zero de participação popular.
Quando se fala em eventos desse porte, com estas características e objetivos previamente elaborados, imagina-se algo realizado nas devidas proporções, mas o que testemunhamos em Caicó foi um evento esvaziado, sem conteúdo literário expressivo, sem identificação com as demandas locais, realizado na base do improviso (apesar de ser a toque de caixa, com direito a diárias para os organizadores e significativa estrutura logística).
Ao observarmos o fracasso desse intento, fica o questionamento: Como pode um evento que foi idealizado para promover a literatura local e regional, incentivar a leitura, dá visibilidade a escritores, cordelistas, livreiros, entre outros, envolver jovens leitor@s, promover intercâmbio e comunicação ativa com os protagonistas do lugar, não ter havido a participação destes? Onde estavam os poetas, escritores, literários, professores, estudantes e, principalmente, o público da cidade? Tinha palco, tinha grupo musical, tiraram muitas fotos, fizeram oficinas (também com baixíssima participação, apesar dos temas), mas o principal não teve – público, envolvimento social.
Se houve falhas, não foi porque as pessoas não quiseram participar desse tipo de evento, o caicoense gosta de novidades. Temos um expressivo elenco de escritores, poetas, cordelistas, sebistas, contadores de histórias, livrarias; se não nos enxergamos dentro da programação tal qual aconteceu, foi porque a forma como esta CLIP foi realizada deixou a desejar, inclusive, quase ou sem nenhuma divulgação. Se teve lastro financeiro, pelo que parece, falhou em planejamento e execução.
Pelo que me parece, testemunhamos dinheiro público jogado fora (que para a cultura e as artes, é sempre escasso). Mas não para por aqui; além de Caicó, o projeto contemplará outros municípios potiguares, incluindo Angicos, Apodi, Assú, Ceará-Mirim, Currais Novos, João Câmara, Macau, Mossoró, Natal, Nova Cruz, Parnamirim, Pau dos Ferros, Santa Cruz, São Paulo do Potengi e Umarizal. Será que nestas outras cidades vai ser no mesmo desnível que foi em Caicó? Com a palavra a Secretaria de Cultura do Estado do Rio Grande do Norte e seus correspondentes!
TEXTO de Bruno Dantas da Silva Junior


