Quem acompanhou o debate da Band na noite de domingo percebeu a estratégia de Cadu Xavier (PT): colar Allyson Bezerra (União Brasil) em Robinson Faria (PP) e, pela associação, transferir para o adversário o desgaste do ex-governador para defender o legado de Fátima Bezerra.
Parece funcionar como estratégia eleitoral. Só não resiste muito bem à memória.
Cadu parece ter esquecido que o “Robinson de Lula” chegou ao Governo do RN, em 2014, com o apoio do PT e do então presidente Lula, que desfrutava de enorme popularidade. O mesmo Lula que hoje empresta seu nome e seu prestígio à candidatura de Cadu.
Mas que ainda não teve um vídeo tão contundente quanto o que Robinson Faria massificou naquela campanha, com Lula pedindo ao eleitor potiguar que o elegesse para “mudar a história do Rio Grande do Norte”.
“Quero fazer um governo tão bom quanto o seu, presidente”, dizia Robinson Faria.
A memória é seletiva — até para quem, como Cadu, ainda não havia entrado na política.
Ontem, Robinson era de Lula. Hoje, Cadu parece preferir que ele seja apenas de Allyson.
Mas a história política do RN, com suas alianças e conveniências, tem esse inconveniente: às vezes ela se lembra justamente daquilo que a campanha gostaria de esquecer.
Laurita Arruda*


