O vereador Lucieldo da Silva (PSDB), de Currais Novos, resolveu recorrer ao argumento de que é uma pessoa “extrovertida e brincalhona” ao se defender do indiciamento por importunação sexual contra uma estagiária da Câmara Municipal. Pediu desculpas publicamente à servidora, mas sustentou que sua atitude teria sido involuntária e sem intenção de assediar, constranger ou desrespeitar.
A explicação, entretanto, não encerra a questão. Ser extrovertido ou brincalhão não transforma automaticamente uma conduta considerada constrangedora pela outra pessoa em simples brincadeira. Existe uma investigação, houve indiciamento e caberá às autoridades competentes definir as responsabilidades, garantindo ao vereador o direito de defesa e a presunção de inocência.
Politicamente, porém, a justificativa chama atenção. Diante de uma acusação dessa gravidade, apresentar o comportamento “brincalhão” como parte da explicação parece uma tentativa de diminuir o peso do episódio. Vai que a brincadeira cola?
