Uma operação realizada nesta nesta quinta-feira (27) pelo Ministério Público (MPRN) apura um esquema de lavagem de dinheiro com recursos desviados de contratos de atenção domiciliar (home care) e resultou no desvio de mais de R$ 37 milhões do Estado e do Município de Natal.
Na ação batizada de “Oxigênio Financeiro”, segundo o MPRN, os investigados usavam o dinheiro desviado para comprar estabelecimentos comerciais e constituir empresas de proteção patrimonial.
O patrimônio identificado financiou uma cafeteria, um salão de beleza, uma clínica popular e empresas de blindagem de bens. Os recursos tinham origem em crimes de falsidade ideológica e fraude em contratação pública.
O grupo apresentava laudos médicos superdimensionados para obter decisões judiciais de urgência, além de orçamentos combinados entre empresas do mesmo grupo familiar.
A organização usava laranjas, entre eles uma manicure e uma empregada doméstica, para registrar empresas de saúde e estabelecimentos comerciais. A estrutura contava com apoio de um advogado, um contador e gerentes administrativos.
O grupo mantinha ainda uma cooperativa de trabalho usada como departamento de pessoal disfarçado, centralizando a contratação de profissionais de saúde. A prática permitia descumprir o piso salarial da enfermagem e sonegar direitos trabalhistas.
A operação é desdobramento da Curari Domi, investigação sobre fraudes em home care iniciada após aumento atípico na judicialização de serviços de saúde. Foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão, com participação de nove promotores, 36 servidores do MPRN e 36 policiais militares.
As equipes apreenderam documentos, dinheiro em espécie sem comprovação de origem, joias e dispositivos eletrônicos. O material será analisado para identificar outros possíveis envolvidos nos desvios e na lavagem de capitais.
