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Alerta: cortes em benefícios podem reduzir renda no interior do Rio Grande do Norte

A redução ou o congelamento dos benefícios sociais e previdenciários pode provocar uma forte retração econômica em municípios do interior do Brasil. Um levantamento do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), divulgado nesta semana, aponta que essas transferências sustentam parte significativa da renda das famílias e movimentam o comércio local.

Segundo o estudo, aposentadorias, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC) têm peso expressivo nas economias municipais. Além disso, para as famílias mais pobres, esses recursos podem representar quase metade do orçamento doméstico.

A co-diretora do Made-USP e economista Luiza Nassif explica que as famílias utilizam praticamente todo o dinheiro recebido para comprar produtos de primeira necessidade. Dessa forma, os recursos circulam rapidamente nos estabelecimentos locais, ajudam a manter empregos e contribuem para a arrecadação dos municípios.

Interior do RN pode ter queda de até 18% na renda
O levantamento destaca que aproximadamente 4 mil dos 5.569 municípios brasileiros ficam fora das regiões metropolitanas. Nessas localidades, as transferências públicas têm um peso que pode chegar ao dobro daquele observado nos grandes centros urbanos.

No Ceará, por exemplo, os benefícios sociais e previdenciários representam 22% da renda agregada da capital e da região metropolitana. Já nas cidades do interior, essa participação alcança 40%.

No Rio Grande do Norte, o cenário exige atenção. Segundo as projeções do estudo, o interior potiguar está entre as regiões que sofreriam os maiores impactos caso os benefícios deixassem de receber aumentos reais.

O levantamento estima que a renda total dessas localidades poderia cair entre 17% e 18% em um cenário sem a continuidade da valorização dos benefícios sociais e previdenciários. Amapá e Piauí também aparecem entre os estados com perdas mais expressivas.

Além disso, Amazonas, Sergipe e Pernambuco poderiam registrar retração próxima de 15%. Já Ceará, Maranhão, Alagoas e Bahia teriam perdas estimadas entre 10% e 13%.

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