Artigo: Pertencimento e convivência

Parabenizo a Associação Sertão Raiz Seridó pela sensível e louvável iniciativa de realizar a serenata pelas ruas de Acari, intitulada Seridó de Saudade. Mais que um evento musical, trata-se de um gesto de amor à memória, à tradição e à alma cultural do nosso povo.

As serenatas possuem uma importância profunda para a cultura do Seridó, pois não se limitam a simples apresentações artísticas — elas representam identidade, pertencimento e convivência comunitária. São manifestações que ecoam histórias, sentimentos e valores transmitidos de geração em geração.

Estudos apontam que a tradição das serenatas tem raízes na cultura ibérica, trazida pelos portugueses no período colonial. No Seridó, essa prática encontrou terreno fértil e criou laços com o cotidiano das cidades. Quase todos os municípios da região guardam um coreto em suas praças — símbolo de encontros, de conversas ao cair da tarde, de contemplação da noite e da lua, de celebração da amizade e da música que embala lembranças.

As serenatas itinerantes preservam a poesia cantada, a música de qualidade, as canções que falam ao coração. Elas fortalecem a interação social, aproximam gerações e renovam o sentido de comunidade. Ao percorrerem as ruas, transformam portas e janelas em camarotes da emoção, reacendendo a chama da sensibilidade coletiva.

Mantêm viva, também, a tradição seresteira e o legado de compositores que eternizaram o romantismo e a beleza da canção brasileira, cujas obras dialogam com o espírito nostálgico e poético presente nas serenatas.

Reitero meus parabéns aos membros da Associação Sertão Raiz Seridó. Iniciativas como esta fortalecem a identidade cultural, transformam o espaço público em palco de memória, romance e arte — e quem verdadeiramente ganha é a cultura do Seridó, que permanece viva, pulsante e orgulhosa de suas raízes.

Janduhi Medeiros

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