A baixa adesão à vacinação contra a gripe mantém o risco de evolução para quadros graves entre os públicos mais vulneráveis no Rio Grande do Norte. Bebês, idosos, gestantes e pessoas imunossuprimidas estão entre os grupos com maior probabilidade de complicações causadas pelo vírus influenza, que pode levar à internação hospitalar.
A infectologista Marise Freitas alerta que a doença vai além de um quadro respiratório leve. “Ela (a gripe) também é uma porta de entrada para infecções bacterianas, do trato respiratório, como, por exemplo, sinusite, otite, pneumonia bacteriana, que podem acontecer após o episódio da gripe”, destacou, em entrevista ao AGORA RN.
Segundo a médica, a cobertura vacinal vem caindo nos últimos seis anos, movimento que já ocorria antes da pandemia de Covid-19 e se intensificou no período, atingindo não apenas a vacina contra a gripe, mas outros imunizantes.
Dados da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) mostram que, em 2025, o RN registrou 348 casos confirmados de influenza A e B pelo Laboratório Central. Apesar da aplicação de cerca de 1 milhão de doses no período, a cobertura entre os grupos prioritários ficou abaixo da meta: 55,4% entre crianças de 6 meses a 6 anos e 52,9% entre idosos. Apenas o público de gestantes superou a meta, com 112,6%.
Em 2026, já foram confirmados 154 casos de influenza A e B, segundo o Laboratório Central Dr. Almino Fernandes (Lacen), com dois óbitos registrados. Atualmente, 27 pessoas estão internadas na rede pública com síndrome respiratória aguda grave causada pelo vírus.
“Se nós pudéssemos vacinar todo mundo seria ótimo, mas não há vacina suficiente, então priorizamos aqueles que têm uma chance maior de complicar, que são justamente o que chama de público alvo pelo Ministério da Saúde”, afirmou Marise Freitas.
A infectologista aponta que o aumento recente de casos pode estar relacionado às aglomerações do período de carnaval e à volta às aulas, que ampliam a circulação de vírus respiratórios. “Quando (as crianças) estão na escola, elas têm uma capacidade maior de transmitir os vírus respiratórios, porque elas ficam muito próximas, né? Sobretudo, as crianças menores, dos primeiros anos escolares”, disse.
A pedagoga Daniela de Castro, mãe de quatro crianças — três em idade escolar —, relata que episódios de gripe são frequentes nesta época do ano. “Mas todo ano é muito comum que eles adoeçam, não só eles, né, porque eles se contaminam e acabam trazendo para a gente, para os pais, para os familiares, principalmente os familiares mais idosos”, afirmou.
Ela destaca que, apesar das infecções recorrentes, os filhos nunca precisaram de internação, o que atribui à vacinação em dia.
Entre as medidas de prevenção, a infectologista reforça a importância de evitar circulação com sintomas, como coriza, febre, dor de garganta e mal-estar, além da higienização frequente das mãos e uso de máscara. “Então, é ter esse cuidado, higienizar sempre as mãos, evitar circular se tiver com sintomas, esse é o mais importante, a doença se transmite no período que tem mais secreção, mais catarro, secreção nasal, são os primeiros 5 dias, depois disso não transmite mais”, explicou.
Campanha começa dia 28
A campanha de vacinação contra a influenza no Rio Grande do Norte começa em 28 de março, com o Dia “D” de mobilização e ampliação do funcionamento dos postos de saúde.
A Sesap pretende imunizar mais de 1,4 milhão de pessoas até 30 de maio, com foco na redução de complicações, internações e mortes. A meta é alcançar, no mínimo, 90% de cobertura em cada grupo prioritário, o que corresponde a um público estimado de 1.424.963 pessoas.
Podem se vacinar crianças de 6 meses a menores de 6 anos; gestantes; idosos a partir de 60 anos; além de puérperas, povos indígenas e quilombolas, pessoas em situação de rua, trabalhadores da saúde e professores, forças de segurança, pessoas com deficiência, caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo, população privada de liberdade e pessoas com doenças crônicas, entre outros grupos definidos pelo Ministério da Saúde.


