Descanso de ministro Toffoli na casa de Fábio Faria, no litoral do RN, repercute negativamente na mídia nacional

O que parecia ser apenas um descanso de alguns dias em uma casa de praia no litoral potiguar está se tornando uma dor de cabeça para o ministro do STF Dias Toffoli. Explica-se: O ministro aceitou ficar na casa de praia de Fábio Faria, ministro das Comunicações do Governo Jair Bolsonaro, de quem é amigo.

Acontece que Toffoli é justamente ministro relator casos no STF que envolvem diretamente Bolsonaro. Se do ponto de vista legal nada impeça um ministro do STF de se hospedar na casa de um ministro de Estado com quem tem amizade pessoal, do ponto de vista ético a história está sendo mal vista tanto pelo mundo jurídico como por parte da mídia nacional.

Na Revista Veja, matéria de Robson Bonin do dia 31 de janeiro publicou:

“Chegou ao STF nesta semana de início de trabalho um desses episódios que costumam aborrecer integrantes mais conservadores da Corte. Amigo do ministro das Comunicações Fábio Faria, o ministro Dias Toffoli aceitou passar uns dias na casa de praia de Faria em Natal, no Rio Grande do Norte. Na Corte, a repercussão da visita se deve ao fato de Toffoli ser relator de casos no governo de Jair Bolsonaro. ´Não é que uma coisa tenha ligação com a outra, mas a proximidade poderia ser evitada”, diz um colega do magistrado.

Toffoli, que não é o único ministro da Corte a ter amigos no governo, não pretende comentar o caso.

O blog O Antagonista também destacou o caso usando de ironia: Com a manchete “Descanso merecido”, o texto diz:

“Dias Toffoli passou o fim de semana na casa de praia de Fábio Faria, cujo pai foi beneficiado no ano passado por decisão do ministro”.

Outros veículos também repercutiram o assunto.

Robinson

Mas a situação é ainda mais delicada. Toffoli foi o ministro do Supremo que em junho de 2021 suspendeu o andamento de uma ação contra o ex-governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD), pai de Fábio.

Robinson era investigado pela Operação Anteros que apurava possíveis desvios envolvendo a Assembleia Legislativa do RN e o suposto crime de obstrução de Justiça praticado pelo ex-governador ao tentar comprar o silêncio de uma testemunha.

O pedido de Habeas Corpus feito pela defesa de Robinson e acatado por Toffoli argumentava que a Operação Anteros – em que Robinson é investigado – é baseada em provas levantadas dentro de outra ação – a operação Dama de Espadas. Esta, por sua vez, seria nula por conter “vícios” e não ter respeitado prerrogativa de foro, segundo a defesa.

A Operação Anteros foi deflagrada no dia 15 de agosto de 2017 para apurar suposto crime de obstrução da Justiça por parte do governador Robinson Faria (PSD) e assessores deles. Na ocasião, além do cumprimento dos mandados de busca e apreensão, foram presos temporariamente Magaly Cristina da Silva e Adelson Freitas dos Reis, assistentes de confiança do governador. Essa operação já era um desmembramento da Operação Dama de Espadas, deflagrada em 2015, e que investigou desvios de recursos da Assembleia Legislativa do RN no período em que Robinson era presidente da Casa.

Agência Saiba Mais*

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