Sem culpados e sem respostas, Manaus se organiza para sobreviver a 3° onda da pandemia

Foi no final de janeiro de 2021, durante a segunda onda da Covid-19 na cidade de Manaus (AM), que Rojefferson Moraes, professor, poeta e morador do bairro Monte das Oliveiras, na zona norte da cidade, contraiu o vírus e até hoje segue se recuperando das sequelas. 

Antes de conseguir ajuda, o professor foi a, pelo menos, 5 hospitais da capital. Todos, em meio ao colapso que o estado passava, não tinham mais vagas nem espaço para recebê-lo. Rojefferson só sobreviveu graças a ajuda que teve da rede de apoio, que ele mesmo ajudou a criar em sua comunidade.

O mesmo, infelizmente, não aconteceu com a avó do poeta e professor Rafael César, morador do Conjunto Hiléia, região centro-oeste de Manaus. 

Sua avó faleceu dia 16 de janeiro por falta de oxigênio. Além da avó, mãe, tio e avô do professor também contraíram o vírus. Desesperado na época pela falta de leitos, Rafael começou uma campanha em suas redes sociais, com o objetivo de transferir seus familiares para São Paulo que precisavam de internação.

Eu vivi o caos do abastecimento de oxigênio em janeiro, por causa da minha avó, que infelizmente não resistiu. Foi quando percebi que nesse sistema em que nós vivemos, a nossa vida não vale nada.”

Rafael foi vacinado no mês de maio deste ano, após decisão da prefeitura de imunizar trabalhadores da educação a partir de 19 de maio. Mas é com tristeza que ele recebe a vacina, por lembrar de sua avó e da morte de outras pessoas que morreram por uma doença para a qual já existe vacina. 

“Eu queria dizer com alegria isso (que fui vacinado), mas para mim é muito triste saber que a vacina não chegou a tempo de salvar minha avó por exemplo, que morreu por causa da doença”.

colapso no sistema de saúde que atingiu Manaus, para o epidemiologista da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana, aconteceu por conta de uma má gestão da pandemia por parte do governo tanto em âmbito estadual, quanto federal.

Em uma entrevista dada em 8 de Fevereiro para a TVT, Jesem conta que inúmeros alertas apontando a saturação da rede médica hospitalar, foram enviados ao secretário estadual de saúde, secretário municipal de saúde e aos secretários da prefeitura. Como também para os órgãos de controle, membros da comissão mista do Senado e da Câmara dos Deputados.

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