Novos fatos dão conta que a crise político-administrativa que toma conta do governo do Dr, Tadeu (PSDB) só cresce e ganha dimensões que pode complicar a vida política do jovem prefeito e postulante a líder caicoense. Como se não bastasse dívidas milionárias mal explicadas ao INSS, fornecedores e professores em fúria querendo receber o que lhes devem, a falta de criatividade administrativa, escolas com déficit de professores, agora, o prefeito Tadeu e sua equipe precisam se explicar sobre suposta fraude em licitação, segundo denúncia feita pelo vereador Max Azevedo (Solidariedade), que aponta para mais uma crise com digitais que sugerem favorecimento ilícito a empresas na decoração que iluminou a entrada da Ilha de Sant’Ana no mês de julho passado.
No caso da dívida de 45 milhões que envolve a empresa Virtus, a mesma nega qualquer ilegalidade, contesta o valor apresentado pelo município e afirma que tal montante gira em torno de 14 a 16 milhões (como se fosse pouco), deixando a entender que a crise foi criada pela gestão atual que, além de não ter feito o dever de casa como devia, recorrendo judicialmente das cobranças feitas pelo INSS, continua faltando com a verdade. Enquanto isso, utilizando-se do argumento de ser vítima dessa dívida milionária a ser paga, o prefeito Tadeu foge a responsabilidade de prover os meios legais para sanar dívidas com fornecedores (que segundo o mesmo vereador gira em torno de 41 milhões) e com os professores da rede municipal de ensino que esperam o cumprimento do acordo dos 13% (treze por cento) restantes do Piso salarial do magistério.
Mas os ventos que sopram do antigo hotel Vila do Príncipe abrem leques de dúvidas quanto a lisura administrativa de Dr. Tadeu.
As graves denúncias trazidas à tona recentemente pelo vereador Max Azevedo poderão assumir gravíssimos desdobramentos. Apesar do silêncio piramidal que faz parte das estratégias palacianas para encobrir os fatos, as denúncias são graves e apontam para um cenário político devastador para a permanência de Tadeu no cargo, caso as denúncias venham a ser devidamente investigadas e, se comprovadas, poderá, no mínimo, arranhar a imagem da alta popularidade que o jovem gestor vivaldista diz ter conquistado com sua gestão arroz de festa.
Se por um lado Caicó está mergulhada num conflito de versões que em nada explica nem justifica desmandos administrativos desse ou de outros prefeitos e que coloca em cheque a própria economia da cidade e seu desenvolvimento humano e social, com dívidas mal esclarecidas e outras não pagas, entidades e instituições da sociedade civil e comercial que deveriam se pronunciar ou, no mínimo, cobrar explicações convincentes ante tamanhas denúncias de amplo interesse público, se calam e fazem a vez de avestruzes, que nada sabem nem nada veem. Até mesmo a Câmara de Vereadores, fórum mais do que legítimo para investigar e dar as devidas respostas ao povo, escamoteia sobre os fatos, ignora os elementos e segue na sua inércia tradicional; por que será?
Já a população, do centro à periferia, empobrecida politicamente, carente de líderes coerentes e organização social, além de outras tantas necessidades básicas, inconsciente das travas que a torna vulnerável a um conjunto de denúncias nunca esclarecidas, precisa enfrentar os fantasmas que hora assombram as velhas raposas do poder político municipal.
Entre denúncias, cobranças e silêncio, desejamos muita luz para iluminar os caminhos da administração do prefeito Tadeu, para quem sabe, assim, Caicó possa sair da escuridão.
Por Antônio Neves – professor e historiador


