“Caicó: o pedacinho do céu prestes a desmoronar”, por Antônio Neves

Por Antônio Neves
Professor e historiador

Os fantasmas do descaso nos assombram novamente, combatê-los é o desafio que nos resta. Terminados os festejos alucinantes do mês de julho voltamos a realidade; é preciso olhar criticamente para a crise que, disfarçada, nos cerca. Apesar dos ditos e prometidos nossos problemas ainda são os mesmos! Enquanto a cidade viveu os delírios festivos promovidos na Ilha de Sant’Ana, o véu maquiador dos nossos acumulados problemas estruturais, sociais e econômicos camufla verdades que, pelo ao menos nos períodos festivos são deixadas de lado. A falsa ideia de cidade dos sonhos esconde seus pesadelos por trás da alegoria do “Pedacinho do Céu”. O povo alimenta-se de promessas vazias sem querer compreender que o céu é só uma promessa.

A educação municipal continua em estado de alerta, o prefeito Tadeu (PSDB) não cumpriu o acordo sobre o pagamento do Piso Salarial do Magistério municipal de 2022 o qual deveria ter sido pago no final de julho, conforme foi negociado, e, segundo o mesmo, não vai pagar, preferiu o calote. Mas, no âmbito da educação, isso é apenas a ponta do iceberg, o pior se esconde entre os muros das escolas, na ausência de um projeto educacional dinâmico, transformador, que rompa com as mesmices pedagógicas de anos infecundos e promova conhecimento e cidadania para além do mais do mesmo.

Agravando o problema, a terceirização da educação, através de processos seletivos, em muito tem comprometido a qualidade do ensino na rede municipal, os índices do IDEB estão aí para comprovar as falhas, pois, o problema reside na fórmula desgastada que persiste há décadas. São os desencontros da educação e da escola pública gritando por mudanças.

Mas quem pensa que em Caicó esse é o único problema que no momento a administração municipal tem para dar solução, engana-se. Recentemente a Prefeitura de Caicó foi inscrita na Dívida Ativa da União e está intimada a pagar uma dívida de 45 milhões ao INSS. Apesar de não ter sido um problema causado pelo atual governo, as consequências desse ato serão desastrosas, não só para a gestão em si, mas para todo o município (inclusive para a economia local), considerando que desembolsar 45 milhões em dívidas não pagas significa um montante de capital que não será investido no desenvolvimento do município.

Porém, perguntas precisam ser bem respondidas por quem de direito: Quem vai pagar esta conta? De qual fonte sairá estes milhões para saldar tamanha dívida? Quem será responsabilizado por estes atos administrativos, diga-se, mal esclarecidos, que, no mínimo, seria motivo de uma CPI na Câmara de Vereadores para investigar os fatos e a população se inteirar das responsabilidades? E o prefeito Judas Tadeu, como pretende solucionar estas demandas sem prejudicar as finanças do município e o funcionamento da máquina administrativa?

Parece que o “Pedacinho do Céu” tão cantado em praças públicas, shows e aviões, não passa de uma forma deslumbrada de reivindicar o futuro escondendo os fantasmas do passado.

Gostou? Compartilhe...

Mais Sobre Seridó

Rolar para cima