Caicó: como se destrói a história de um povo?

Mais um patrimônio histórico de Caicó tomba para o esquecimento. Normal, para uma cidade sem memória e nenhum apego com seus elementos históricos e culturais do passado que não resistem as agressões do presente.
Esta casa centenária de 107 anos era um dos mais belos patrimônios arquitetônicos da Caicó antiga, pertenceu ao Coronel Celso Dantas, um dos homens ilustres da nossa terra que aí morou por décadas e que, por isso, deu nome à avenida que passa em sua frente – Avenida Celso Dantas.
Na minha condição de professor e historiador, que amo de paixão a cultura, a memória e a história de um povo, quero registrar minha indignação contra mais um crime voluntário contra a memória e a história caicoense. Mais um apenas…, mas Caicó é assim, uma cidade que reina a ignorância cultural, fragiliza-se a educação, investe-se no desconhecimento histórico e incentiva-se o descaso com o patrimônio e a nossa memória coletiva. Sobram discursos hipócritas, fantasias e ilusões. Falta-nos cultura, por isso derruba-se as estruturas.
Esta casa, bela e antiga, não é a primeira, nem será a última do pouco que ainda resta ser demolido em nome de interesses econômicos privados e da especulação imobiliária. Por estas e outras, empobrecemos a cada dia, e junto a esta pobreza cultural e educacional, nos distanciamos das nossas origens formadoras e vamos nos perdendo numa terra sem história, pela falta de preservação daquilo que nos faz pertencer a este lugar.
Do chão deste antigo casarão se erguerá um prédio “moderno”, que servirá a sociedade de consumo, vazia e sem referenciais; enquanto as novas gerações chorarão pelos cantos, sem memória nem vínculos afetivos com aquilo que um dia, foi nossa própria identidade histórica.

MEUS PÊSAMES, CAICÓ.

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