Carla Dickson ensina, na prática, como não se comunicar na política

O episódio recente envolvendo a deputada Carla Dickson (PL) expõe uma questão: quando a comunicação falha, o desgaste vem de dentro, e rápido.

Primeiro, Carla disse que a máquina de Natal “está moendo” em favor da pré-candidatura a deputada federal de Nina Souza, também do PL. Uma acusação gravíssima no que se refere a um dos gatilhos mais sensíveis da política brasileira: o de abuso de poder. “Eu te desafio, deputada Carla Dickson. Mostre uma pessoa que a vereadora Nina e o prefeito Paulinho Freire tenham coagido para votar em mim. Pode me acusar de qualquer coisa, agora não me acuse de corrupção”, rebateu Nina, da tribuna da Câmara Municipal de Natal, onde recebeu solidariedade dos colegas, que aprovaram moção de repúdio a Carla.

O recuo de Carla, com pedido público de desculpas, demonstra reconhecimento do erro, mas não elimina seus efeitos. Em política, o pedido de perdão raramente zera a conta. No máximo, interrompe o crescimento do prejuízo.

A crítica ao senador Styvenson Valentim (Podemos), um dos nomes apoiados pelo PL ao Senado, ampliou o quadro de crise interna no âmbito da sigla. Um dor de cabeça local que o senador Rogério Marinho (PL) não esperava administrar.

E aí, Carla Dickson fez a declaração que mais lhe ocasiona prejuízos, envolvendo a própria base religiosa. Ao mencionar que “se depender da Assembleia de Deus, não venço”, a deputada tocou em um dos pilares históricos de sua trajetória política.

O resultado foi crise interna partidária, ruído com aliados, desgaste junto ao importante segmento evangélico.

Carla Dickson, que tem seus méritos e acertos na vida pública, deu uma aula de como não deve ser uma comunicação política.

Heitor Gregório*

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