O ex-deputado federal Eduardo Cunha reclamou do atraso de “mineiros enrolados” durante a indicação de emendas parlamentares à servidora Mariângela Fialek, aponta o inquérito da PF (Polícia Federal). A investigação foi usada como base para o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinar o bloqueio de R$ 6 milhões do ex-parlamentar.
“Boa tarde, desculpa mas eu não aguento mais esses mineiros enrolados. Troca a de Governador Valadares por essa, pois lá também criaram caso pedindo ofício, etc. É mais fácil trocar”, escreveu Cunha em uma conversa com Mariângela. O diálogo consta na decisão do STF que foi tornada pública neste domingo (12).
Segundo Dino, o diálogo acima aponta para evidências de que Cunha teria um nível de gerência sobre a destinação e execução de emendas parlamentares que “contrasta com a ausência de título jurídico que lhe permita dispor do orçamento público”.
“Mais simbólico ainda no sentido do descontrole político e desvinculação ao interesse público dessas destinações é o fato de que o ex-deputado nunca manteve vinculação política com o Estado de Minas”, aponta um trecho da decisão. “Pelo contrário, em algumas passagens simboliza manter pouco apreço pelo Estado e pelos prefeitos com quem mantinha interlocução.”
Ao todo, a investigação da PF identificou 21 emendas parlamentares que teriam sido articuladas pelo ex-deputado. Todas foram destinadas a municípios mineiros.
Eduardo Cunha declarou que é pré-candidato a deputado federal por Minas Gerais nas eleições deste ano.


