A biodiversidade do Seridó potiguar acaba de ganhar projeção internacional com o lançamento do guia ilustrado Aves do Município de Caicó, que reúne mais de 230 registros fotográficos de espécies encontradas na região. A publicação integra a série Field Guides do Field Museum, em Chicago, nos Estados Unidos.
O guia apresenta fotografias e informações taxonômicas das aves observadas no município, abrangendo espécies associadas a diferentes ambientes da região, como áreas de Caatinga, açudes, rios e zonas urbanas.
O trabalho foi desenvolvido em parceria entre pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), da Fundação para o Desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Rio Grande do Norte (Funcitern) e do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema).
Entre as aves catalogadas estão espécies como o periquito-da-caatinga (Eupsittula cactorum), o picapauzinho-da-caatinga (Picumnus limae), o bacurauzinho-da-caatinga (Nyctidromus hirundinaceus), o cancão (Cyanocorax cyanopogon) e o currupião (Icterus jamacaii).
O levantamento também registra diversas espécies aquáticas encontradas em reservatórios e áreas úmidas da região, como garças, jaçanãs, galinha-d’água, marrecas e maçaricos, revelando a importância desses ambientes para a conservação da biodiversidade local.
Segundo o biólogo e pesquisador-bolsista do Idema/Funcitern, Alan de Araújo Roque, a publicação busca aproximar o público da riqueza natural existente na Caatinga e estimular ações de conservação. Ele é co-autor da obra junto com a geógrafa e professora da UFRN, Sandra Kelly de Araújo; e com o biólogo e ornitólogo Pedro Henrique Pierote de Sousa.
“O guia nasce como uma ferramenta de educação ambiental para aproximar a população da avifauna regional, incentivando o olhar atento para a natureza, a pesquisa científica e a proteção da biodiversidade da região do Seridó”, diz Alan.
Autora principal do guia, Sandra Kelly explica que os registros foram construídos ao longo de vários anos de observação em campo.
“A observação exige paciência, perseverança e certa regularidade. Há aves migratórias, por exemplo, que só podem ser registradas em determinadas épocas do ano, como o bem-te-vi-rajado e o maçarico-solitário. Já existem outras espécies menos frequentes, como a biguatinga”, explica.
Sandra também ressalta o papel dos guias de campo na popularização do conhecimento científico.
“Esses guias aproximam a população da biodiversidade. As pessoas passam a ter curiosidade sobre quais espécies ocorrem na região”, afirma.


