O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu tirar o sigilo da investigação do caso Dark Horse que apura o possível direcionamento de emendas parlamentares para o financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A decisão foi tomada neste domingo (13) e alcança o material produzido pela Polícia Civil de São Paulo sobre a Go Up, produtora responsável pelo filme.
A investigação é uma das duas frentes no STF relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”. O braço relatado por Dino mira o possível uso irregular de emendas parlamentares. O outro inquérito, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura uma frente distinta de financiamento da obra.
Entre os alvos da investigação de Dino estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor executivo do longa e ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, e Karina Gama, dona da Go Up.
Na última quinta-feira (10), a Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará na Operação Make Up, autorizada por Dino. Frias e Karina estavam entre os alvos.
Segundo a PF, a investigação apura a atuação de uma suposta organização criminosa formada por agentes públicos e privados e suspeita de direcionar recursos recebidos por meio de emendas para empresas subcontratadas de maneira irregular e sem comprovação da efetiva prestação dos serviços.
No despacho deste domingo, Dino afirmou que, após analisar o material produzido pela investigação da Polícia Civil de São Paulo, os elementos indicam um possível “sofisticado esquema de destinação e desvio de recursos públicos”, principalmente de emendas parlamentares federais.
A apuração também cita movimentações entre Frias e a Go Up. Segundo a PF, o deputado teria enviado valores à empresa em montante considerado incompatível com os rendimentos declarados por ele e com os créditos identificados em suas contas bancárias. Para os investigadores, esse elemento indicaria uma possível participação mais ampla do parlamentar na engrenagem financeira sob apuração.
Em março, Dino já havia determinado que Frias prestasse esclarecimentos sobre uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões destinada ao Instituto Conhecer Brasil, ONG ligada à produtora do filme. O ministro pediu informações sobre possíveis irregularidades na execução desses recursos.
Em manifestação enviada ao Supremo em maio, Frias negou irregularidades e afirmou que os valores tiveram finalidade social.
*Com informações de CNN

