Responsável por entregar em mãos a Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o relatório em que consta citações ao ministro Dias Toffoli em conversas no celular de Daniel Vorcaro, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Passos, diz que tem aval para ir “ao fundo” com as investigações sobre a Faria Lima, foco principal dos investigadores para o combate ao crime organizado.
“O foco que temos é trabalhar com independência e busca de excelência da prova, até porque isso afeta todo um ecossistema. E nós vamos, com esses parâmetros, até onde for necessário e até onde for possível alcançar. Iremos a fundo. Já mostramos que não estamos aqui para proteger nem perseguir ninguém. Se encontrarmos pessoas de grande estatura política, social e econômica, vamos em frente”, afirmou Passos em entrevista ao jornal O Globo.
Sobre a suspeição de Toffoli, relator do caso Master no STF, o diretor da PF diz que é uma “questão técnica” que caberá ao próprio Supremo.
“Isso é uma questão técnica. Não é uma questão legal, jurídica, e não compete à Polícia Federal arguir qualquer questão que não seja da sua competência. Isso o próprio Supremo, creio eu, saberá analisar, se for o caso de analisar, no momento oportuno. Ou se o relator identificar algum caso que ele entenda obrigado pela lei em relação a impedimento ou suspeição, ele deve fazer essa apreciação que é do Poder Judiciário, e não da polícia”.
Segundo Passos, as investigações da PF, focada nas negociações com o Banco de Brasília (BRB), que fica sob a tutela do governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB), devem ser concluídas em dentro do prazo de 60 dias, mas lembra do inquérito conduzido pelo Ministério Público de São Paulo e ressalta que os “achados” da investigação devem gerar novos processos.
“É importante lembrar que há outro inquérito de São Paulo que também está com o STF e que, inclusive, o objeto é muito mais abrangente. Envolve fraude com o sistema financeiro, gestão fraudulenta, questão dos fundos. A hipótese criminal é mais ampla do que nesse outro caso. Então, isso segue investigado. Além dos outros que tratam dos fundos dos servidores, que fizemos pelo menos duas operações no Rio e no Amapá”, diz sobre os desdobramentos do caso e faz um alerta.

