Número de prefeitas será menor a partir de 2021 no RN; apenas 22% das cidades terão uma mulher no comando

Por Rose Serafim, Isabela Santos e Mirella Lopes 

Dos 167 municípios do Rio Grande do Norte, 37 serão administrados por mulheres a partir de 2021, o equivalente a 22% das cidades potiguares. Haverá uma redução do número de executivos chefiados por prefeitas em comparação à última eleição municipal, quando 47 chapas encabeçadas por candidaturas femininas saíram vitoriosas das urnas.

Apesar da redução e do pequeno número de cidades chefiadas por mulheres, nesse critério o Rio Grande do Norte ainda aparece acima da média nacional. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, em apenas 12% dos municípios brasileiros candidatas femininas venceram as eleições de 2020. Nas 96 maiores cidades brasileiras – grupo que inclui capitais e municípios com mais de 200 mil habitantes – somente 9 terão mulheres no comando.

Merece destaque também o desequilíbrio de gênero nas 26 capitais do país. Só Palmas (TO) terá uma mulher na prefeitura, a Cinthia Ribeiro, do PSDB. E nunca é demais lembrar que, entre todos os estados brasileiros, apenas o Rio Grande do Norte é chefiado por uma governadora mulher, a petista Fátima Bezerra.

Maioria das prefeitas potiguares vai administrar municípios com menos de 20 mil habitantes

Do total de eleitas para prefeituras no Estado potiguar em 2020, apenas cinco assumem ou reassumem o comando de cidades com mais de 20 mil habitantes. É o caso de Pau dos Ferros, município da região do Alto Oeste, distante 389 quilômetros de Natal. Lá, a advogada Marianna Almeida (PSD) assume o executivo de uma cidade habitada por cerca de 30.600 pessoas, segundo estimativa do IBGE.

Também figuram na lista dos mais habitados os municípios de Extremoz, com população estimada em 28.936 pessoas; Baraúna, com 28.747 habitantes; Areia Branca, com 27.967; e Goianinha, onde o IBGE estima que residem 26.669. 

Em Extremoz, quem assume o cargo é a advogada Jussara Sales, do PROS. Já em Baraúna, a dona de casa Divanize Oliveira, do PSD, passa a comandar a prefeitura. Em Areia Branca, a tucana Iraneide Rebouças foi reconduzida à chefia do executivo. 

Hosanira Galvão, do PL, ocupará o paço municipal de Goianinha. Nira, como identifica-se na urna a prefeita eleita e diplomada de Goianinha, tem ensino superior completo e é a única entre as eleitas que se autoafirma preta no registro do Tribunal Superior Eleitoral. A agência Saiba Mais tentou falar com a futura prefeita por duas semanas, mas não obteve retorno.

Outras 10 eleitas, incluindo Jussara, de Extremoz, se declararam pardas. Dessa forma, 29% das prefeitas eleitas no Rio Grande do Norte são pessoas negras, segundo o IBGE que reúne pretos e pardos na categoria.

O menor município, em caráter populacional, a eleger uma mulher para o maior cargo municipal foi Taboleiro Grande, onde a estimativa é que residam pouco mais de 2.500 pessoas. Lá, foi eleita Maria Tarcia Ribeiro, a Tarcinha, empresária filiada ao PSD. Lagoa de Velhos também figura entre as cidades com menor índice populacional a eleger uma mulher para prefeitura, a também empresária Sonyara de Souza, do PSDB.

Chapas compostas integralmente por mulheres venceram em 10 municípios potiguares. É o caso da já citada Goianinha, além de Alexandria, Coronel João Pessoa, Ielmo Marinho, Lucrécia, Martins, Rafael Godeiro, Sítio Novo e Tenente Ananias. Além desses, outras 29 cidades terão vice-prefeitas a partir de 2021, totalizando 39 pessoas do gênero feminino ocupando o cargo em todo o Estado.

MDB e PSDB foram os partidos que mais elegeram mulheres prefeitas no RN

Os dois partidos onde mais prefeitas eleitas são filiadas são MDB (9) e PSDB (8). O ranking segue com PSD, pelo qual cinco candidatas saíram vitoriosas, e Republicanos, que elegeu quatro chefes do gênero feminino para executivos municipais. DEM, PL e PP tiveram três representantes cada, enquanto PROS e PT elegeram, cada um, uma única prefeita.

Elas também são minoria no legislativo

Ainda segue distante a ideia de paridade de gênero nas Câmaras Municipais de municípios norte-riograndeses. Isso porque, de acordo com dados do TSE, em 17 cidades, nenhuma mulher foi eleita para o cargo de vereador. Em outras 38, apenas uma assume mandato legislativo a partir do próximo ano.

Das 167 cidades, apenas Espírito Santo e Paraú terão mais mulheres que homens nas Câmaras. No primeiro, onde residem cerca de 10.439 habitantes, serão 6 mandatos assumidos por vereadoras e outros três por vereadores. No segundo, com população estimada em 3.859 pessoas, as eleitas assumem 5 das 9 vagas disponíveis. Em 10 cidades, elas assumiram 4 das 9 vagas disponíveis.

Em 2012, cinco cidades tiveram mais eleitas que eleitos para o legislativo. Outras 14 câmaras com nove vagas tiveram quatro mandatos assumidos por mulheres. Já 48 tinham apenas uma vereadora e 18 não elegeram nenhuma candidata para o legislativo. No pleito de quatro anos atrás, das 1640 vagas, apenas 348 foram destinadas a mulheres. Já em 2020, houve 350 eleitas de 1600 vagas.

Saibamaisrn*

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