A polícia de Israel impediu a realização da missa do Domingo de Ramos na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, episódio classificado por autoridades religiosas como inédito e grave. A data marca o início da Semana Santa, um dos períodos mais importantes do calendário cristão.
De acordo com comunicado conjunto do Patriarcado Latino de Jerusalém e da Custódia da Terra Santa, divulgado neste domingo (29), o patriarca Pierbattista Pizzaballa e o custódio Francesco Ielpo foram impedidos de acessar o local mesmo sem a realização de procissão ou ato público.
As instituições afirmam que a decisão representa “um grave afastamento da liberdade de culto” e destacam que é a primeira vez em séculos que a celebração é barrada nesse contexto.
A restrição ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio após o conflito envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, iniciado em fevereiro. Como medida de segurança, o governo israelense tem limitado aglomerações a cerca de 50 pessoas, o que já havia levado ao cancelamento da tradicional procissão entre o Monte das Oliveiras e a Cidade Velha.
No comunicado, as entidades religiosas classificam a decisão como “irracional, desproporcional e sem fundamento adequado”, ressaltando que a medida impede líderes máximos da Igreja Católica de exercerem suas funções em um dos locais mais sagrados do cristianismo.
A ação gerou repercussão internacional. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou que não houve má intenção e que a medida foi motivada por preocupações com segurança. Já o presidente da França, Emmanuel Macron, condenou o episódio e defendeu a garantia do culto religioso em Jerusalém.
O chanceler italiano Antonio Tajani também criticou a decisão, classificando-a como “inaceitável” e informando que o governo italiano formalizou protesto diplomático.
O governo brasileiro igualmente se manifestou, apontando “extrema gravidade” na restrição e ressaltando a necessidade de respeito ao status histórico dos locais sagrados e à liberdade religiosa.
A cidade de Jerusalém possui importância central para o cristianismo, o islamismo e o judaísmo. Segundo a tradição cristã, o Domingo de Ramos relembra a entrada de Jesus na cidade, poucos dias antes da crucificação e da celebração da Páscoa.
Com informações do O Globo


