O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), empregou ao longo de seus três mandatos na Casa, de 2011 a 2021, sete parentes de seu assessor parlamentar e amigo Djair Marcelino da Silva, conforme levantamento da Pública. Djair é apontado como operador de um esquema de “rachadinhas” na Assembleia Legislativa de Alagoas, que teria sido liderado por Lira quando ele ainda era deputado estadual (2001-2007), de acordo com denúncia do Ministério Público Federal (MPF) de 2018, decorrente da Operação Taturana, deflagrada em 2007 pela Polícia Federal (PF).
Além de Djair, atualmente apenas seu sobrinho, Luciano José Lessa de Oliveira, está lotado no gabinete do líder do Centrão como secretário parlamentar, mas há indícios de que ele dá expediente em outro local.
Filho da cunhada de Djair, Lessa é dono de uma gráfica em Maceió (AL), a Sete Comunicação Visual. A Pública o flagrou cinco vezes no local em horário comercial. No primeiro contato, uma quarta-feira, 16 de fevereiro, às 10h50, ele estava em sua gráfica pintando uma faixa e atendendo a um cliente. No dia 22 de março, terça-feira, às 14 horas, sem saber que éramos jornalistas, ele fez um orçamento de banner para festa infantil.
Nos três dias seguintes, quarta-feira às 15 horas, quinta-feira às 12 horas, sexta-feira às 13 horas, a gráfica estava aberta ao público. Nos dias de funcionamento, Lessa coloca na calçada uma placa divulgando o seu trabalho: “banners, adesivos, placas e faixas”. Nas redes sociais, o horário de atendimento divulgado é das 9h às 22h30.
“Eu passo o dia todo fora, de vez em quando venho aqui na bodega [na gráfica] porque tenho três gatos, aí passo para colocar a comida dos gatos, boto a máquina para dar uma esquentada para não perder ela, porque não estou utilizando ela”, justificou Lessa, ao ser procurado. Vizinhos ouvidos pela Pública disseram que “ele costuma passar o dia na gráfica”.
As regras da Câmara dos Deputados permitem o trabalho do assessor no estado de origem do deputado federal desde que a atividade seja inerente ao exercício do mandato. O secretário parlamentar está sujeito a uma jornada semanal de 40 horas e poderá ser autorizado a realizar atividade privada, desde que fora do período de trabalho — o que não se enquadraria no caso de Lessa.
Arthur Lira tem escritório em Maceió, mas Lessa disse que quase não o frequenta. Segundo ele, sua responsabilidade no gabinete do deputado é “cuidar da comunicação visual”. “Desde a campanha de 2010 que fiquei encarregado de ficar fazendo as partes de comunicação visual dele, que é camisa, placa, faixa”, contou.
Alice Maciel* – Da Agência Pública


