A filha da soldado Gisele Alves Santana, encontrada morta em fevereiro, recebe uma pensão cerca de dez vezes menor do que o valor que será pago ao tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de feminicídio no caso.
Segundo a defesa da família, a órfã recebeu cerca de R$ 7,1 mil acumulados em três meses — o equivalente a aproximadamente R$ 2,3 mil mensais. O pedido de pensão foi protocolado no dia 6 de março junto ao São Paulo Previdência (SPPrev).
Já o oficial, que foi transferido para a reserva a pedido próprio, deve receber cerca de R$ 20 mil mensais. Antes da prisão, seu salário bruto era de aproximadamente R$ 28 mil.
Diante da diferença, o advogado da família informou que pretende adotar medidas legais para garantir uma pensão maior à criança e buscar responsabilização financeira do acusado.
Caso foi reclassificado como feminicídio
Inicialmente tratado como suicídio, o caso foi reclassificado como feminicídio qualificado após investigação da polícia.
De acordo com o inquérito, a morte ocorreu em 18 de fevereiro, no apartamento do casal, na região do Brás, em São Paulo. A apuração identificou indícios de violência doméstica e inconsistências na versão apresentada pelo oficial.
Perícias apontaram marcas de contenção no corpo da vítima, além de sinais de possível adulteração da cena do crime. Também foram encontrados vestígios de sangue na roupa do acusado e no banheiro do imóvel.
O Ministério Público de São Paulo denunciou o oficial por feminicídio qualificado e fraude processual. A Justiça decretou sua prisão preventiva, e ele está detido no Presídio Militar Romão Gomes.
A defesa nega as acusações e sustenta que a morte foi suicídio.


