Fux condena o ajudante Cid e absolve Bolsonaro, o chefe

Luiz Fux!

Que figura formidável!

Que entre para os anais da história do Supremo. Esse juiz inigualável, depois de mais de 11 horas, ensinou a seus pares que Mauro Cid, o ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, cometeu o crime de tentativa de abolição violenta do estado de direito, mas não o seu chefe.

Entende-se, sei lá, que Cid, então, cometeu aquele crime em proveito próprio. Fico cá a imaginar:
“Pô, presidente, vá adiante; dê um murro na mesa, chega dessa farra. Vamos abolir o estado de direito…”

E o Mito:
“Não! Pare com isso! Eu sou um legalista. Pô, Cid, está querendo se dar bem?”

Fux está oferecendo seus préstimos aos golpistas. Sabe que será derrotado. Faltasse outro absurdo, há esse. Dá um voto para tentar insuflar a extrema direita.

Como pediu para falar sem interrupção, sem apartes, está a cada hora mais encantado com a própria voz e começa a fazer ironias malcriadas com o procurador-geral da República e com os seus pares, como se fosse o grande especialista da corte em direito penal, o que não é.

Ignora os autos, ignora as provas, ignora as evidências. O general Mário Fernandes, por exemplo, imprimiu o plano “Punhal Verde Amarelo” no Palácio do Planalto e, quarenta minutos depois, estava com Bolsonaro no Palácio da Alvorada.

Visitou o então presidente no dia 8 de dezembro de 2022 e, no dia 9, Bolsonaro recebeu manifestantes no Alvorada e anuncia que algo vai acontecer; numa referência clara às Forças Armadas, diz que, se assim não for, é porque terá perdido a liderança. Pede à sua turma que pare de atacar os militares antes de saber tudo o que está acontecendo. Em conversa com Cid, Fernandes se jacta de o chefe ter, finalmente, aceitado a sua orientação.

Lembro esse episódio porque Fux, há pouco, acaba de tratar Fernandes, o segundo da Secretaria Geral da Presidência, como se fosse um estranho para Bolsonaro. É aquele que na reunião golpista de 5 de julho de 2022, quando o “Mito” decidiu que não haveria eleições, cobrou que se definisse o que seria a intervenção militar. E especulou: “Um novo 64?”.

Fux quer puxar briga com seus pares. Parece que está tentado a demonstrar a Trump que, com efeito, o STF reúne um grupo de tiranos.

Que os ministros resistam à tentação de responder às suas provocações vulgares.

Reinaldo Azevedo*

Gostou? Compartilhe...

Mais Sobre Brasil

Rolar para cima