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Kelps X Kelps: O atacante que faz gol contra o time de Allyson

O pré-candidato a deputado federal Kelps Lima (União Brasil) segue apostando numa estratégia no mínimo inusitada para crescer eleitoralmente: atacar os próprios companheiros de nominata – Benes Leocádio, João Maia e Robinson Faria – em um sistema no qual, quanto mais votos o partido obtém, maior é a chance de conquistar cadeiras na Câmara dos Deputados.

Tudo indica que Kelps não digeriu bem uma suposta quebra de acordo envolvendo a transferência de bases políticas dentro do União Brasil. E decidiu reagir justamente contra aqueles que, direta ou indiretamente, poderiam ajudá-lo na disputa.

A estratégia intriga até os mais atentos observadores da cena política potiguar. Nos últimos dias, Kelps participou de eventos, encontros e trocou elogios públicos com a pré-candidata a deputada federal Nina Souza (PL), primeira-dama de Natal e, em tese, uma adversária direta do grupo formado por Kelps, Allyson Bezerra e companhia.

Ao mesmo tempo, reservou suas críticas mais duras para dentro de casa. Mirou no ex-governador Robinson Faria, a quem classificou como o pior governador da história recente do Rio Grande do Norte, e também disparou contra outros integrantes do partido, tratados como representantes da velha política ou parlamentares ineficientes.

Fica a dúvida: se esses mesmos aliados tivessem transferido apoios e bases eleitorais para Kelps, continuariam sendo símbolos da incompetência e da velha política? Ou passariam a ser quadros qualificados e parceiros confiáveis?

A resposta parece óbvia.

A disputa ganhou um novo capítulo nesta semana. O pré-candidato ao Governo do Estado, Cadu Xavier (PT), aproveitou a desavença exposta por Kelps para atingir seu principal adversário, Allyson Bezerra, líder na maioria das pesquisas divulgadas até aqui.

Em outras palavras, utilizou os argumentos de Kelps para atacar o próprio grupo político do ex-deputado.

Kelps reagiu afirmando que Cadu tenta esconder a governadora Fátima Bezerra da campanha. A crítica pode até fazer sentido sob a ótica do marketing político, mas encontra dificuldades quando confrontada com a realidade. Pode-se dizer muita coisa sobre o grupo liderado por Lula e Fátima, mas dificilmente alguém apontará falta de coerência, lealdade ou alinhamento político-partidário entre seus integrantes.

Características que, convenhamos, parecem cada vez mais escassas no universo político de Kelps. Aliás, fica até difícil definir qual é exatamente esse universo.

Porque há quem sustente que o verdadeiro beneficiário da estratégia adotada por Kelps não é Allyson Bezerra, mas justamente o campo formado por Nina Souza, Álvaro Dias e Bolsonaro. É esse grupo que ganha espaço político sempre que o ex-deputado decide abrir fogo contra seus próprios aliados.

Resta saber se isso faz parte de uma estratégia cuidadosamente planejada ou se é apenas um efeito colateral mal calculado.

Afinal, se Kelps está no time de Allyson, por que suas jogadas parecem favorecer tanto o time adversário?

Laurita Arruda*

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