Engana-se quem pensa que o grande articulador que provocou o esvaziamento do tradicional MDB caicoense é coisa apenas do equivocado e vingativo presidente do diretório estadual – o vice-governador Walter Alves.
Uma figura muito mais interessada neste contra-ataque nada mais é que o atual prefeito caicoense e pré-candidato a reeleição, o médico Judas Tadeu (PSDB) que, usando das mais sorrateiras estratégias de cooptação de “lideranças”, partidos e legendas de aluguel, prepara-se para uma campanha eleitoral onde imagina, uma vez imobilizados e desarticulados os adversários e opositores (que por sinal, quase não existem), terá como certa sua reeleição.
Até agora, nos minutos iniciais do primeiro tempo desse jogo, Tadeu permanece com a posse de bola jogando para segurar o placar, considerando que nesse cenário político onde a partida não tem juíz, cabe ao time que tem mando de campo impor a tática que garanta o resultado mais convincente para entusiasmar o torcedor (nesse caso, o eleitor). Como no futebol, na disputa política o que vale é o resultado!
Depois da ofensiva orquestrada por Walter Alves, entregando o diretório local do MDB a um coordenador técnico de baixa credibilidade, numa ação supervisionada pelo meio de campo onde Tadeu é o principal centroavante, cabe ao time que esta dominando a partida garantir o placar até o fim do jogo, e nessa ilustração, se o prefeito Tadeu vai garantir o título no final do campeonato vai depender da sua capacidade ofensiva para manter o plantel jogando pela vitória. Antes, também, é bom combinar com o povo!
O maior desafio de Tadeu é manter esse time unido e sem fissuras até o abrir das urnas, pois, além de um elenco de jogadores de menor expressão que buscam seu lugar na seleção principal como o PT e o PCdoB, legendas estas que tem cartolas poderosos como a governadora Fátima Bezerra e o presidente Lula, e mesmo sendo aliados de primeira hora, são partidos que continuam sufocados por estratégias palacianas que reduzem seus espaços e pretensões políticas que lhes garantam maior destaque em campo, isso porque, pelo sectarismo e submissão a que estão submetidos pela política aplicada por Tadeu, estes grupos partidários ditos de esquerdas continuarão jogando na segunda divisão.
Ao novo contratado, o MDB, o prefeito vai ter que acolher seu rol de exigências para atender os acordos que motivaram as mudanças de comando e as orientações político-eleitorais no partido dos ex-bacuraus caicoenses, tanto para o agora, como para o futuro, e para isso, será preciso acomodar a nova legenda de apoiadores dentro da estrutura de poder comandada pelo médico gestor. A viúva paga a conta!
Tadeu é politicamente ambicioso e não tardou a ser contaminado pela mosca azul do poder; governa com seus botões, só conversa com seus bajuladores e prefere ouvir somente o que soa como aplausos aos seus ouvidos de Maracanã, porém, de ego pragmático, já entendeu que quando o time adversário joga fragilizado, sem seus melhores jogadores e sem tática o ideal a fazer é desestabiliza-lo de vez, e foi o que ele fez com o MDB caicoense que, convenhamos, há tempos que já vinha sofrendo com a desestabilidade de suas bases eleitorais, carecendo de líderes articulados e sendo deformado pela prática comum da infidelidade partidária como as protagonizadas por alguns de seus quadros na última eleição de 2022 em Caicó, acrescentando ainda que, segundo se comenta pelas arquibancadas, suas principais referências (diga-se, vereadores) prestam “apoio” administrativo a gestão do prefeito jerimum (fala-se até que alguns têm cargos e livre acesso aos gabinetes da gestão), se assim for, difícil agora é convencer a torcida a aceitar o gol contra.
Possivelmente, este ano teremos uma das disputas eleitorais mais despolitizadas dos últimos anos em Caicó, quiçá, uma das mais pedantes. Praticamente não haverá sequer a tradicional polarização entre as tais bandeiras “vermelho & verde” uma vez que tais referências já se confundem num vinagrete azedado pelas circunstâncias das conveniências as quais, no apito final do segundo tempo, poderá beneficiar ao mais do mesmo.
Nesse jogo de disputas, até agora, as alternativas a Dr. Tadeu foram tragadas pelo imobilismo. Entre titulares e reservas, o que sobrou das esquerdas envergonha qualquer discurso progressista e de resistência contra o que outrora se chamava de atraso do conservadorismo da política local. As esquerdas e os movimentos sociais foram engolidos por alianças pragmáticas que se divorciaram dos anseios de uma parcela da população mais consciente do tipo de governo e cidade que precisamos ter. Já os possíveis nomes que surgiram até aqui para enfrentar o doutor vivaldista nas urnas ainda não conseguem convencer possíveis aliados, e, menos ainda, driblar seus adversários mais inconsequentes.
Mas, por enquanto, não aconselho a ninguém a apostar no resultado final desse jogo. Lembremos que na Copa do Mundo de 1998 a seleção brasileira entrou em campo como favorita e saiu humilhantemente derrotada!
Antônio Neves
(Historiador e professor)

