Se havia algum critério ideológico nos contratos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ele passou longe dos números. O que aparece, com clareza, é um pragmatismo sem filtro e bem distribuído.
A lista atravessa Brasília inteira sem distinção.
Vai do escritório da esposa de ministro do STF, com contrato de R$ 129 milhões (e R$ 80 milhões já pagos), a nomes ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. No meio, ex-ministros como Henrique Meirelles (R$ 18,5 milhões), Guido Mantega (R$ 14 milhões).
Na comunicação, o critério também pareceu amplo: R$ 9,9 milhões ao jornalista Leo Dias, cerca de R$ 27 milhões ao portal Metrópoles e R$ 24 milhões ao apresentador Ratinho.
No Rio Grande do Norte, o rastro também apareceu.
Em 2024, uma empresa ligada a Vorcaro comprou 90% de um projeto de energia eólica do ex-ministro Fábio Faria por cerca de R$ 67,5 milhões — negócio que incluiu um apartamento de luxo em São Paulo. O empreendimento fica em terras da própria família do ex-ministro.
Há ainda festas milionárias no exterior, autoridades de diferentes poderes no mesmo ambiente e investimentos no futebol espalhados por dezenas de clubes.
No fim, o conjunto sugere um método simples e direto: longe de rótulos ideológicos, o critério parecia ser outro. Em vez de esquerda ou direita, valia mesmo quem tinha algo a oferecer.
Laurita Arruda*


