Papa Francisco concede titulo de Basílica Menor à igreja Matriz de Nossa Senhora Da Guia em Acari

Com um Decreto emanado pela Santa Sé, o Papa Francisco torna a Igreja Matriz de Acari uma Basílica Menor, em razão da sua história, da fé secular do povo católico seridoense, além da beleza arquitetônica e da exemplaridade da liturgia que se celebra no seu interior. Celebra também o centenário do nascimento do Cardeal Dom Eugenio de Araujo Sales, filho de Acari, que foi batizado naquela Igreja e por cuja pessoa, falecido em 2012, a Diocese de Caicó nutre uma especial gratidão principalmente pelo cultivo das vocações sacerdotais do clero seridoense.

A Paróquia Nossa Senhora da Guia, na cidade do Acari, é a primeira que foi desmembrada da antiga Freguesia da Senhora Santa Ana do Seridó, cujo território paroquial abrangia o que hoje corresponde ao território da Diocese de Caicó. Sua Igreja é a mais imponente de todas as igrejas paroquiais da Diocese de Caicó, com a ressalva de que a Catedral de Sant’Ana de Caicó possui a primazia absoluta seja teológica que em importância eclesial sobre todos os demais Templos do Seridó.

A Matriz de Acari, que agora passa a ser Basílica Menor pontifícia, foi construída por um filho seu, o Padre Thomaz Pereira de Araújo, inaugurada em 1867 e nela foi batizado o Cardeal Dom Eugenio de Araujo Sales (Arcebispo Emérito do Rio de Janeiro), cujo centenário de nascimento foi solenemente celebrado aos 08 de novembro de 2020. Sendo a segunda paróquia mais antiga da Diocese de Caicó, por haver sido erigida em 1835, e uma das mais antigas do estado do Rio Grande do Norte, ela guarda uma inefável expressão da piedade popular de nossa gente, que é, na sua maioria, humilde e pacata.

A devoção à Nossa Senhora da Guia remonta, porém, ao ano de 1738, de modo que as cidades ao seu redor têm na cidade de Acari um referencial de piedade mariana e de decoro nas celebrações litúrgicas.

A então Matriz de Acari sempre foi tido como um lugar sagrado e fonte secular de vida cristã do povo fiel, tanto pela antiguidade de sua devoção, como pela mística que inspira a sua arquitetura imponente, que relembra a grandeza de Deus que se faz próximo a cada pessoa que nela se encontra, em oração, certo de ter o auxílio de Jesus Cristo, nosso Senhor, o filho bendito da Virgem que nos Guia. Foi considerando a sua importância para a fé do povo do Rio Grande do Norte que Sua Santidade o Papa Francisco quis que a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Guia de Acari tivesse a merecida dignidade de Basílica Menor.

Essa Igreja, que é o povo de Deus que caminha peregrino neste mundo, cuja imagem é misteriosamente representada no Templo material, será a partir de agora um sinal de sua comunhão com o Sucessor de Pedro, o Papa Francisco.
O fato de nela haver sido batizado o Cardeal Dom Eugenio de Araujo Sales, filho de Acari, reforça a consciência da comunhão eclesial deste lugar com o Bispo da Igreja de Roma, o Papa, que nos preside na caridade, em cuja pessoa Dom Eugenio serviu por muitos anos. Em uma transmissão televisiva, ele afirmou nitidamente: “Honra-me profundamente ter nascido em Acari, uma cidade que está sob as bênçãos de Nossa Senhora da Guia”.

O Pároco, Padre Fabiano Maurício Dantas, e o Pároco emérito, Monsenhor Raimundo Sérvulo da Silva, capelão do Santo Padre, reconhecidos a Deus por tamanha efeméride, sabem hoje que contam com a benevolência do coração de nosso Pastor Supremo, o Papa Francisco, que tem constantemente voltado o olhar para o povo mais simples.

Não existe na Província Eclesiástica de Natal nenhuma igreja com a dignidade de Basílica menor pontifícia, e essa Graça repousou sobre a linda Matriz do Acari, localizada na região semiárida do Rio Grande do Norte, lugar marcado pela irregularidade de chuva, o que torna o sertão uma terra de difícil sobrevivência, que exige do seu povo uma fé inabalável para a superação dos seus problemas pessoais e sociais.

A Liturgia que se celebra em Acari sempre foi reconhecida e valorizada por sacerdotes e fiéis pela sua consonância e conformidade com as orientações litúrgicas e pastorais do Concílio Ecumênico Vaticano II. A música sacra ali cultivada desde épocas imemoráveis sempre a distinguiu em beleza e harmonia.

Acari está localizada na microrregião do Seridó Oriental do estado do Rio Grande do Norte, tem origem no início do séc. XVIII, quando os desbravadores dos sertões adentraram o interior do Nordeste em busca de condições favoráveis para o desenvolvimento do criatório do gado, encontrando nessas terras, até então habitadas por silvícolas, o pouso desejado. Assim, o lugar que recebeu essa denominação por causa de um peixe encontrado nas águas do Rio Acauã, foi se tornando ponto de referência. Em 1738, com a construção de uma capela dedicada a Nossa Senhora da Guia, patrocinada pelo Sargento-mor Manuel Esteves de Andrade, começou o núcleo do povoamento que iria constituir a vila e a cidade nas décadas subsequentes.

Nesse contexto histórico-cultural se destaca a devoção a Nossa Senhora da Guia, o título mariano mais antigo a ser venerado no Seridó. Segundo os relatos orais que foram passados através das gerações, a Capela em honra a Nossa Senhora da Guia foi construída a pedido da mãe do fundador de Acari, condição para que esta viesse morar nessas paragens.

Com o passar do tempo a Vila foi crescendo gradativamente, sem contar que a maioria da população vivia exclusivamente na zona rural, cujas principais atividades econômicas eram a pecuária (criação de gado vacum) e a agricultura de subsistência. Nos anos seguintes a Capela foi sendo ampliada para comportar a participação dos fiéis nos ofícios sagrados.

Em 13 de março de 1835 a Vila do Acari foi elevada à categoria de Paróquia, e a Capela de Nossa Senhora da Guia elevada à dignidade de Igreja Matriz. O primeiro pároco foi o Padre Thomás Pereira de Araújo, sacerdote do clero secular, natural da mesma Vila do Acari e cuja memória jamais saiu do coração dos acarienses. Por todos era venerado e invocado com o apelativo Padrinho Padre.

No ano de 1857 o Padre Thomás e a comunidade acariense decidiram construir uma nova Igreja Matriz, cujos serviços começaram com a bênção da pedra fundamental, no dia 15 de agosto de 1857. A execução da obra continuou nos anos seguintes, sendo interrompida pela falta de recursos, pela seca característica no semi- árido nordestino, e até mesmo por uma epidemia de varíola. Mas, a generosidade do povo, de mãos dadas à fé, fez multiplicar-se o pouco dinheiro e superar as adversidades por maiores que fossem. Desse modo os trabalhos prosseguiram e a conclusão da obra ocorreu no final do ano de 1863.

Na construção dessa igreja, foram empregados diariamente cerca de 14 pedreiros. Carpinteiros, entre 6 e 12. Serventes, até 30, no máximo. 7 a 8 carros de bois foram empregados no transporte de materiais (pedra e madeira). Para o transporte das tesouras, vindas das serras de Florânia, foram necessários 16 carros, 32 juntas de bois e 38 serventes. A cal foi transportada da Acauã ao pé da obra em costas de animais. De 1863 a 1864, os marceneiros fecharam a Igreja e construíram os altares principais, sendo decorados pelos pintores de 1865 a 1866. Na manhã do dia 05 de agosto de 1867, foi trasladada para a nova Matriz, a Imagem de Nossa Senhora da Guia. Ainda chegam até nossos tempos os ecos dessa triunfal trasladação. Nada menos de 19 sacerdotes, entre os quais o próprio Vigário do Natal, o Padre Bartolomeu da Rocha Fagundes e seus auxiliares, e incalculável multidão, compuseram o préstito. A essa festa que se prolongou até o dia 16, assistiram para mais de 8 mil pessoas. Houve o problema da hospedagem para tanta gente. A cidade era pequena, e poucas as casas. Construíram ruas de ranchos para acomodar moradores e visitantes.

Várias reformas foram feitas ao longo do tempo na Igreja Matriz, mas esta conserva seus traços arquitetônicos originais, cuja imponência se faz notar na paisagem do município de Acari.

A Festa de Nossa Senhora da Guia, celebrada anualmente no período de 05 a 15 de agosto, atrai acarienses, visitantes e devotos para os festejos. É um grandioso marco de fé para Acari e para toda a região. Pode-se afirmar com convicção que a Festa da Padroeira faz parte da identidade de Acari, alcançando significados que emocionam e cativam todos os fiéis, devotos e peregrinos. É um momento singular que une a todos na suntuosa Igreja Matriz, lugar especial do coração do povo do Acari, sempre convidativa e acolhedora, onde os mistérios da Fé são celebrados para maior honra de Deus.

A Basílica de Acari é um dom incomensurável para o povo Católico do RN. Seu serviço ao louvor perene de Deus possa ser uma fonte de muita esperança para o povo sofrido nas agruras dos difíceis tempos que atravessamos.

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