Discreta e muito dedicada à família, Mariana será a futura primeira-dama do RN
Discreta e com uma trajetória marcada pela dedicação à família e ao cuidado com as pessoas, Mariana Fernandes se prepara para assumir o papel de primeira-dama do Rio Grande do Norte.
Natural de Natal, psicóloga, noiva do governador eleito Cadu Xavier (PT) e mãe de dois filhos, de 18 e 14 anos, ela inicia essa nova etapa buscando conciliar os valores que orientam sua vida pessoal e profissional com o desejo de contribuir para projetos sociais voltados à população potiguar.
Longe dos holofotes da política, Mariana construiu sua trajetória profissional de maneira independente e manteve uma presença discreta durante a campanha eleitoral do companheiro.
Agora, diante das mudanças que a chegada de Cadu ao Governo do Estado representa para a família, reconhece a responsabilidade que terá pela frente, mas demonstra disposição para aprender e participar de ações sociais.
Em entrevista ao Diário do RN, ela fala sobre sua trajetória e se apresenta com a simplicidade que considera uma de suas principais características: “Mariana é uma pessoa simples, uma pessoa discreta, como vocês podem ver, que não aparece muito, uma pessoa humilde”, define, ao falar sobre si mesma.
Filha de um funcionário aposentado da Petrobras e de uma mãe que dedicou duas décadas à educação, Mariana cresceu em um ambiente no qual a família, a honestidade, a humildade e a fé cristã ocupavam lugar central. São princípios que, segundo ela, permanecem presentes em suas escolhas e na criação dos filhos.
“Minha mãe trabalhou 20 anos com educação e sempre foi muito cristã. Me ensinou os valores, acima de tudo, de família, de honestidade, de humildade. E foram esses valores que eu passei para os meus filhos”, conta.
Ao olhar para a própria trajetória, demonstra satisfação com o caminho percorrido. “Graças a Deus, eu tenho muito orgulho da mulher que eu me tornei hoje”, afirma.
Da fonoaudiologia à descoberta da psicologia
Antes de encontrar na psicologia sua realização profissional, Mariana iniciou a carreira como fonoaudióloga. Durante oito anos, trabalhou na Marinha, onde teve contato com atividades desenvolvidas pelo setor de psicologia, especialmente em palestras voltadas a idosos e pessoas com hipertensão. A experiência despertou o interesse pela área e, após deixar a instituição, entre 2012 e 2013, decidiu ingressar na faculdade de psicologia.
“Foi lá na Marinha que eu conheci a psicologia, porque trabalhava com o setor da psicologia, dava palestras para grupos de idosos, grupos de hipertensos, e foi lá que eu me apaixonei por essa profissão”, relembra.
Mais do que uma mudança de carreira, a formação representou uma transformação na maneira de compreender as relações humanas. Para Mariana, a profissão reforçou a importância da empatia, do acolhimento e do respeito às diferenças.
“Foi uma profissão que me ensinou muito a ser uma pessoa melhor, porque comecei a aprender a olhar para o outro sem julgamentos. Aprendi a compreender a dor do outro, as diferenças, a olhar para aquela pessoa e entender o outro lado que, de fora, a gente não consegue ver”, destaca.
É na possibilidade de ajudar quem enfrenta dificuldades que encontra uma de suas maiores realizações. “Compreender as diferenças e individualidades do ser humano e poder acolher e ajudar. Ajudar o próximo é algo que me traz muita satisfação”, ressalta.
Parceria com Cadu e os desafios da nova rotina
Na vida pessoal, Mariana descreve a relação com Cadu Xavier como uma parceria baseada no companheirismo e na divisão das responsabilidades familiares. Segundo ela, a organização da casa nunca esteve condicionada aos papéis tradicionalmente atribuídos ao homem ou à mulher.
“Eu acho que nós sempre fomos muito parceiros. Dentro de casa não existe essa regra do que é dever do homem e o que é dever da mulher. Sempre estamos nos ajudando uns aos outros”, afirma.
Durante a campanha eleitoral, procurou conciliar os compromissos profissionais com o apoio ao noivo, acompanhando-o sempre que possível, sem renunciar a sua atividade como psicóloga.
“Eu posso dizer que pude dar o meu melhor. Não deixei minha profissão de lado, mas, sempre que possível, estava ali, me fazendo presente, acompanhando ele da forma que dava”, relata.
A vitória de Cadu nas urnas também trouxe a necessidade de reorganizar a dinâmica familiar.
Mariana reconhece que as responsabilidades do governo poderão reduzir a presença do companheiro em casa. Por isso, o casal já começou a conversar com os filhos sobre as mudanças que estão por vir.
“Nós já estamos conversando com nossos filhos, porque eles precisam entender a ausência do pai. E agora, mais do que nunca, a gente vai precisar estar muito unido”, explica.
Mesmo diante dos desafios, considera fundamental apoiar o projeto político do noivo, por reconhecer nele o desejo de contribuir para a melhoria das condições de vida da população.
“Eu sei que é um desejo dele mudar a vida das pessoas. E, mesmo sabendo que isso vai mudar muito a nossa vida, eu jamais seria egoísta de, num momento como esse, não dar apoio e não estar ao lado dele”, declara.
Primeira-dama quer conhecer de perto a realidade dos potiguares
A perspectiva de se tornar primeira-dama do Rio Grande do Norte é recebida por Mariana com a consciência de que a nova posição ampliará sua exposição pública. Sem apresentar um modelo previamente definido de atuação, ela afirma que ainda conversa com Cadu sobre como poderá contribuir com a gestão estadual.
“Eu confesso que sinto uma responsabilidade muito grande, porque serei exemplo para muitos seres humanos. E, como ser humano, eu também erro. Então, confesso que é uma responsabilidade muito grande”, reconhece.
A intenção é desenvolver uma atuação próxima das pessoas, especialmente daquelas em situação de vulnerabilidade. Mariana pretende se envolver em projetos sociais e conhecer diretamente as dificuldades enfrentadas pela população.
“Eu pretendo, sim, me engajar em projetos sociais, até para que eu possa conhecer melhor, conhecer de perto a realidade do nosso estado e, assim, poder tentar ver como é que eu vou conseguir melhorar a vida dessas pessoas”, afirma.
Embora ainda não tenha escolhido uma causa específica, demonstra sensibilidade diante de questões como dependência química, desestruturação familiar, desamparo de crianças e saúde mental, área diretamente relacionada à sua formação profissional.
“São muitas causas para a gente conseguir definir uma só. O que eu quero é entrar nessa campanha de Cadu, que é a campanha do Cuida, para a gente se preocupar mais com essas pessoas que mais precisam do Estado”, explica.
As iniciativas ainda estão em discussão, e Mariana prefere não antecipar compromissos antes de definir como será sua participação. Entre a experiência profissional, a dedicação aos filhos e os desafios do novo governo, pretende construir seu espaço preservando a simplicidade que considera parte de sua identidade.
“Acho que vai ser também um papel de muito, muito aprendizado na minha vida”, conclui.
Diário do RN*


