Entidades de direitos humanos e advogadas protocolaram uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O pedido solicita investigação sobre possíveis crimes relacionados a tráfico de pessoas para exploração sexual, favorecimento da prostituição e outras infrações.
A denúncia baseia-se, entre outros elementos, em uma reportagem do UOL de 13 de outubro que aponta mensagens e documentos indicando uma rede internacional de recrutamento de mulheres para festas privadas frequentadas por Vorcaro e seus contatos.
Conversas atribuídas ao ex-banqueiro e intermediários mencionam mulheres de diversas nacionalidades, incluindo refugiadas ucranianas, além de detalhes sobre passagens aéreas, hospedagem, pagamentos e seleção das participantes. As mensagens usam termos como “escravas” e “flores” para se referir às mulheres, e falam ainda sobre “doutrinação” de candidatas para a chamada “Famiglia”.
O documento solicita que as autoridades apurem o método de recrutamento, as condições em que as mulheres eram levadas aos eventos e verifiquem a situação das migrantes e refugiadas, considerando dificuldades com documentação, moradia e sustento. Também pede que o contato com autoridades consulares seja acompanhado pelas próprias mulheres e orientação especializada.
Os eventos citados ocorreram em São Paulo, Londres, Roma e Dubai. Em festa de Halloween em São Paulo, em 2023, as mensagens citam dezenas de mulheres, e em evento em Londres, 99 mulheres são mencionadas, incluindo sete brasileiras.
Foram identificadas ainda 21 faturas entre abril de 2024 e março de 2025, totalizando cerca de US$ 70 milhões, referentes a cobranças antecipadas por eventos, hospedagem e fretamentos. Os documentos teriam sido encaminhados por Vorcaro ao setor financeiro do Banco Master.
A notícia-crime também levanta suspeita de associação criminosa, ameaça, constrangimento ilegal, cárcere privado, lavagem de dinheiro e outros crimes. Após a divulgação da reportagem, Vorcaro negou a exploração ou desrespeito às mulheres, questionando a autenticidade e o contexto do material divulgado e classificando a exposição das mensagens como violação da sua intimidade.
Ele informou que pretende colaborar com as investigações e prestar esclarecimentos. A denúncia ainda não comprova os crimes apontados, e cabe às autoridades verificar e apurar os fatos apresentados.
Créditos: NOVO Notícias

