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Artigo: Caicó, as eleições e o recado das urnas

As eleições de 2026 terminaram e seus resultados nos livraram de mais uma tentativa fracassada do bolsofascimo em destruir a nossa soberania e a democracia. Reeleito para seu quarto mandato como presidente, Lula é o sinônimo vivo do poder e da força do povo, principalmente no Nordeste, região que mostrou não levar desaforo pra casa.

Nos estados e municípios, candidatos fazem as contas, festejam vitórias e lamentam derrotas, mostrando que às vezes, cálculos errados, planos confusos e ações mal articuladas podem revelar a fragilidade de muitos que se imaginam lideranças fortes.

Sob estas perspectivas, Caicó foi exemplo de que as urnas frustraram algumas aspirações e revelaram cenários que não estavam na conta dos principais postulantes à dono do poder local. O atual prefeito Judas Tadeu perdeu feio, com direito ao título de bicampeão pelas derrotas de seus candidatos no primeiro e segundo turnos. Entre a pré-campanha e as definições das escolhas, viveu momentos de euforia com o poder. Assediado por candidatos da esquerda e da direita, o prefeito traçou planos, impôs condições, negociou, montou uma salada mista de apoios a candidatos, mas o resultado mostrou que o eleitor não assimilou suas escolhas e o derrotou por duas vezes.

Acreditando numa possível vitória local do seu candidato Allyson Bezerra (União) ao governo do estado, Tadeu imaginava ganhar os créditos do resultado eleitoral e, consequentemente, a reciprocidade que viria na fatura administrativa e nas eleições municipais de 2028, tornando-o imbatível como líder político da direita pelos próximos 40 anos, consolidando sua pretensão de ser o herdeiro político de Vivaldo Costa, deputado que encerra sua trajetória depois de 50 anos de vida pública. Vivaldo sai de cena de forma honrosa, Tadeu começa dando tropeços.

Como justificativa para seu fracasso eleitoral terceirizado, Judas Tadeu colocou a culpa na polarização, se vitimou, diz não haver relação entre a suposta aprovação do seu governo com os insucessos dos seus candidatos, não colou. Explicitamente, o que se observa agora, nas ruas, é uma ácida avaliação popular contrária a seus argumentos, que o avalia como alguém que teve um comportamento oportunista, regado a muita arrogância, maniqueísta e traição. Pegou mal! A fatura vai lhe sair cara!

A questão é que dr. Tadeu caiu do cavalo antes de amaciar a sela. Em Caicó, cidade onde diz ter 70% de aprovação administrativa, foi humilhado nas urnas porque não soube domar suas ambições pelo poder.

Sua arrogância infanto-juvenil o fez acreditar que sua liderança embrionária, garantiria seu passaporte para o andar de cima da política Norte-rio-grandense, dando a vitória local ao seu candidato. Agora, envergonhado, justifica a derrota de Allysson Bezerra, com a desfaçatez de quem não entregou o que prometeu, (voto na urna). O resultado eleitoral a seu desfavor revela sua ainda pequenez política, onde ele se imagina grande, mas as urnas mostraram que tem pés de barro. No panteão dos derrotados, Tadeu figura a nível estadual em primeiro lugar, seguido do senador Rogério Marinho (PL), do prefeito de Natal, Paulinho Freire (União) e do vice-governador Walter Alves (MDB). Os humilhados do parque!

E contra números não há argumentos, a grande vitoriosa das eleições no Rio Grande do Norte foi a governadora Fátima Bezerra (PT) que, numa jogada de um fôlego só, elegeu uma vereadora natalense para o Senado (Samanda Alves/PT) e o seu candidato ao governo (Cadu de Lula/PT). Fátima não baixou o nível, não se humilhou, não apelou, apenas seguiu o script com a frieza de quem sabe que os apressados comem cru. O povo lhe fez justiça!

Pergunta: Judas Tadeu vai seguir birrento e amuado como criança que não ganhou o presente prometido ou vai calçar as sandálias da humildade, para tentar salvar o que ainda lhe resta? 2028 já começou!

REFLEXÕES DE: Antônio Neves (professor e historiador)

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