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Artigo: O “Piriri” das passeatas e o olhar do povo!

Caicó viveu na tarde/noite do último domingo (27/9) as suas maiores mobilizações políticas da campanha eleitoral de 2026. De um lado, o prefeito Judas Tadeu colocou seus candidatos nas ruas a toque de caixa das estruturas das campanhas destes, sob o convite para a “Passeata do Agricultor”. Do outro lado, o ex-prefeito e candidato a deputado estadual Bibi Costa também fez coro ao convite para a sua passeata do agricultor. DETALHE IMPORTANTE: O criador desta passeata – o Papa Jerimum e deputado Vivaldo Costa – não compareceu a nenhuma das duas mobilizações. Para Dr. Tadeu, a frustração da ausência de Vivaldo deu lugar ao gol que o mesmo esperava fazer e se tornar artilheiro do campeonato eleitoral em Caicó. Vivaldo não foi, nem mandou representante.

Visualmente, Tadeu mostrou capacidade de articulação e mobilização popular no seu evento, tudo realizado a partir da sua compreensão infanto-juvenil de poder onde o melhor antídoto para maquiar a realidade é festa e folia, juntado a isso, muita poluição visual e sonora e seu nome ressonando, ininterruptamente, nos carros de som, como se fosse ele, o candidato.
Se Tadeu tem mesmo força política para transformar passeata e apoio eleitoral em votos para os seus candidatos, só saberemos no abrir das urnas no próximo domingo, até aqui, promessas e declarações de apoio têm sido o cardápio do jogo de cena que compõe este cenário ambíguo e traiçoeiro. É sempre bom combinar com o povo!

Bibi Costa, eleitoralmente solitário (por opção), preferiu realizar sua mobilização acreditando no apelo popular que seu nome e referenciais como ex-prefeito de Caicó podem conquistar. Ao usar a passeata do agricultor como evento impulsionador da sua campanha, mirou no que viu e acertou no que não viu. Sua passeata não atingiu o clímax esperado de uma multidão, mas se realizou sob uma perspectiva menos ilusória. O saldo foi positivo!

Em meio às comparações, um detalhe diferencia a passeata de Bibi Costa da versão “Agricultor Judas Tadeu”. Na de Bibi havia mais honestidade eleitoral por parte dos que lá estavam. Lá não havia cargos comissionados da prefeitura, obrigados a comparecerem para dar volume de campanha ou cabos eleitorais para tremular bandeiras de forma remunerada, menos ainda, Bibi não montou grandes estruturas de som ou palanque para mostrar força política, apenas convidou aqueles que nele poderão votar e, é aí que sua mobilização, mesmo modesta, mostrou que as urnas podem lhe trazer uma boa surpresa, pois havia espontaneidade nos acenos como declaração de votos a sua candidatura; inclusive, muitos dos populares que estavam a empunhar bandeiras dos candidatos de Dr. Tadeu a troco de algum incentivo imediato, são declaradamente eleitores de Bibi Costa.

Bibi Costa é pragmático, estrategicamente frio, age pela própria intuição. Para ele, o resultado nas urnas se transformará em capital eleitoral para projetos futuros. Já dr. Tadeu vive um momento de euforia com o poder. Acredita que com uma possível eleição dos seus candidatos, os créditos serão dele e a reciprocidade virá na fatura das eleições municipais de 2028, tornando-o imbatível como líder político da direita pelos próximos 40 anos – o herdeiro político de Vivaldo Costa. Tadeu só precisa ter cuidado pra não cair do cavalo da política e fraturar seus sonhos imperiais, pois no meio dessas passeatas, acordos e apoios de canetas administrativas, tem muita mão que afaga, na mesma proporção que apredeja.
É só uma reflexão!

Texto: Antônio Neves**

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