Guerra e El Niño levam economistas a projetar inflação de alimentos a 7%

Economistas aumentaram as projeções para a inflação dos alimentos no país em 2026. A revisão para cima está associada aos impactos da guerra no Irã e à ameaça do fenômeno climático El Niño a partir do segundo semestre.

As estimativas de instituições financeiras consultadas pela Folha de S.Paulo apontam alta a partir de 7% para os preços da alimentação no domicílio no acumulado deste ano.

“Estamos falando de uma tempestade perfeita para a inflação de alimentos. São vários choques”, diz o economista-chefe do grupo CVPAR, Marcelo Fonseca.

A perspectiva é de uma forte aceleração frente a 2025, quando a inflação dos produtos consumidos em casa teve trégua, fechando em 1,43%. Caso as projeções se confirmem, a variação dos preços esperada para 2026 será a maior desde 2024, quando ficou em 8,23%.

A alimentação em casa integra o índice oficial de inflação do país, o IPCA, calcula do pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O aumento previsto para os alimentos é maior do que o projetado para o índice em termos gerais.

Na mediana, as estimativas do mercado financeiro apontam IPCA de 5,09% no acumulado de 2026, conforme o boletim Focus, divulgado pelo BC (Banco Central). Esse número está em alta há 12 semanas consecutivas.

“Vai ter uma aceleração dos alimentos em 12 meses, até pela base de comparação, já que os preços se moderaram na segunda metade de 2025, e a gente não vai ver isso de novo. A tendência é de a alimentação acelerar de maneira importante”, diz o economista Fábio Romão, da consultoria 4intelligence.

Nos 12 meses encerrados em abril, os alimentos consumidos em casa acumularam inflação de 1,34% no IPCA.

Romão espera que a taxa feche dezembro de 2026 em 7,7%. É mais que o dobro do que ele previa inicialmente para o acumulado deste ano.

Em 27 de fevereiro, véspera do início da guerra no Irã, Romão projetava alta de 3,7% para a alimentação no domicílio nos 12 meses de 2026.

O conflito provocou uma disparada das cotações do petróleo, gerando repasses para os preços de combustíveis como o óleo diesel. Trata-se de um insumo usado no transporte rodoviário dos alimentos.

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